O Brasil encerrou o Oscar 2026 sem estatuetas, apesar das indicações de O Agente Secreto e de Wagner Moura. A cerimônia realizada neste domingo (15), em Los Angeles, também foi marcada por manifestações contra a escalada militar no Oriente Médio e por falas em defesa da Palestina.
A presença brasileira na cerimônia foi marcada por quatro indicações para O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho. O longa concorreu nas categorias de melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator — com Wagner Moura — e melhor seleção de elenco.
O Brasil também esteve na disputa em melhor fotografia, com o diretor de fotografia Adolpho Veloso, indicado pelo trabalho em Sonhos de Trem.
Apesar das indicações, nenhuma das categorias terminou com vitória brasileira. Na principal disputa da noite, de melhor filme, O Agente Secreto foi superado por Uma Batalha Após a Outra, dirigido por Paul Thomas Anderson. Já na categoria de melhor filme internacional, o prêmio ficou com o norueguês Valor Sentimental, de Joachim Trier.
No entanto, a participação brasileira foi tratada como um marco importante para o cinema nacional. A indicação de O Agente Secreto à categoria de melhor filme — a principal da premiação — é um feito raro para produções brasileiras no Oscar, que em outras ocasiões já haviam alcançado destaque com títulos como Central do Brasil e Cidade de Deus.
Após a cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou a equipe do filme e destacou a presença do país na premiação.
“Um enorme orgulho ver mais uma vez nossos artistas na cerimônia do Oscar. Foram cinco indicações ao maior prêmio do cinema mundial, mostrando, mais uma vez, a força do nosso cinema e o talento dos nossos atores, atrizes, diretores e de toda a equipe técnica que faz essa arte acontecer. É o Brasil levando ao mundo a potência da nossa cultura e das nossas histórias”, escreveu Lula.
O presidente também citou diretamente os profissionais envolvidos nas produções brasileiras indicadas.
“Parabéns a Kleber Mendonça Filho, Wagner Moura, Gabriel Domingues e a toda a equipe de O Agente Secreto, e também a Adolpho Veloso, diretor de fotografia de Sonhos de Trem. Temos muito orgulho de todos vocês e do nosso cinema! Um grande beijo meu e da Janja”, acrescentou.
Discursos políticos marcam a cerimônia
A cerimônia também foi atravessada por manifestações políticas relacionadas à situação internacional. O ator espanhol Javier Bardem, ao apresentar a categoria de melhor filme internacional, declarou “não à guerra” no palco e voltou a criticar o conflito em curso no Oriente Médio.
No tapete vermelho, Bardem afirmou que a guerra atual na região é “ilegal” e “baseada em mentiras”, comparando as justificativas apresentadas para o conflito com os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para invadir o Iraque em 2003. O ator também reiterou apoio ao povo de Gaza e defendeu a liberdade da Palestina.
Outros participantes também se manifestaram. O diretor espanhol Oliver Laxe, indicado ao Oscar com o filme Sirat, usou um broche de melancia — símbolo internacional de solidariedade com a Palestina — e afirmou à imprensa que “os palestinos estão sofrendo”.
A diretora tunisiana Kaouther Ben Hania, cujo filme A Voz de Hind disputava o prêmio de melhor filme internacional, denunciou discriminação contra palestinos. Segundo ela, o ator principal da produção não pôde comparecer à cerimônia devido à proibição de entrada de cidadãos palestinos nos Estados Unidos imposta pelo governo de Donald Trump.
Principais vencedores da noite
O grande destaque da premiação foi o filme Uma Batalha Após a Outra, dirigido por Paul Thomas Anderson. A produção venceu seis estatuetas, incluindo melhor filme, melhor direção e melhor roteiro adaptado, tornando-se o principal vencedor da noite.
O longa também levou o prêmio de melhor seleção de elenco e garantiu a estatueta de melhor ator coadjuvante para Sean Penn. Ao receber o prêmio de roteiro adaptado, Anderson afirmou que escreveu o filme pensando em seus filhos e pediu desculpas “pelo desastre que deixamos neste mundo”.
Já o filme Pecadores, dirigido por Ryan Coogler, conquistou quatro prêmios: melhor ator, com Michael B. Jordan, melhor fotografia, melhor trilha sonora original e melhor roteiro original. Na categoria de fotografia, a vencedora foi Autumn Durald Arkapaw, que se tornou a primeira mulher a ganhar o Oscar nessa área.
Outros prêmios importantes incluíram a vitória de Amy Madigan como melhor atriz coadjuvante por A Hora do Mal. O filme Frankenstein, dirigido por Guillermo del Toro, venceu nas categorias técnicas de figurino, maquiagem e design de produção. Já Guerreiras do K-Pop levou os prêmios de melhor animação e melhor canção original.
A abertura da cerimônia ficou a cargo do apresentador Conan O’Brien, que fez referência ao cenário internacional atual. “A gente sabe que vivemos tempos muito caóticos e sombrios”, afirmou ao iniciar o evento, que reuniu produções de diferentes países entre os indicados.
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