A discussão sobre “traição ao Brasil” ganhou destaque nas redes sociais nesta terça-feira (2), após a administração de Donald Trump anunciar um aumento de 25% nas tarifas sobre produtos brasileiros. A opinião pública rapidamente direcionou críticas a Flávio Bolsonaro (PL-RJ). De acordo com um levantamento da AtivaWeb Datalab, até o final da tarde, houve 15 milhões de interações relacionadas ao assunto, com impressionantes 78% delas expressando descontentamento em relação a Trump e à família Bolsonaro.
O estopim para essa onda de indignação foi a conclusão da investigação da Seção 301 pelo governo dos EUA, que aponta práticas comerciais consideradas injustas por parte do Brasil, incluindo o sistema de pagamentos instantâneos conhecido como Pix, desenvolvido pelo Banco Central. Nas cinco horas iniciais após o anúncio, a AtivaWeb já havia registrado 8,6 milhões de menções ao tema. Três horas depois desse marco, o número quase dobrou.
“Tariflávio” nos trending topics
Em resposta rápida à situação, o Partido dos Trabalhadores (PT) não hesitou em agir. O secretário nacional de comunicação do partido, Éden Valadares, criou o termo “Tariflávio”, associando Flávio Bolsonaro à responsabilidade política pelo novo aumento tarifário americano. Este apelido viralizou nas redes sociais e rapidamente se tornou um dos tópicos mais comentados no X, onde continuava a ser trend na manhã seguinte (3). A repercussão causou desconforto no círculo do senador, que busca se distanciar dessa decisão do governo Trump.
Visita à Casa Branca sob suspeita
A indignação popular foi intensificada pela proximidade entre o anúncio das tarifas e a visita recente de Flávio Bolsonaro à Casa Branca, onde ele se encontrou com Marco Rubio, secretário de Estado americano, e com Trump. Para muitos brasileiros nas redes sociais, essa sequência de acontecimentos parecia mais do que uma simples coincidência.
Em um discurso em Catalão (GO), o presidente Lula (PT) não poupou críticas e chamou Flávio de “traidor da pátria” e “imbecil”, acusando-o de solicitar interferência estrangeira nas eleições brasileiras. Ele declarou: “Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores”.
Lula também lembrou um episódio anterior em julho de 2025, quando Trump impôs tarifas ao Brasil pela primeira vez e Flávio comemorou publicamente: “No dia 9 de julho de 2025, quando Trump nos puniu, ele disse: ‘Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo’.”
Soberania une o Brasil
Outro dado interessante revelado pela análise da AtivaWeb é que o tema da soberania nacional obteve um índice positivo de 74,2%, sendo a única questão capaz de gerar consenso abrangente entre os eleitores, independentemente das divisões partidárias. Segundo a análise da empresa, “o tema transcendeu o debate partidário e uniu eleitores de diferentes espectros políticos em torno de um ideal comum”.
No que diz respeito às interações sobre os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro, 69% delas foram marcadas por sentimentos negativos, refletindo uma rejeição generalizada à percepção de conspiração e traição aos interesses nacionais. A desaprovação em relação a Trump também foi significativa: atingiu 62,9%, especialmente quando as discussões abordaram os impactos econômicos e políticos dessa medida para o Brasil.
Flávio nega e tenta se distanciar
Diante da enxurrada de críticas recebidas, Flávio Bolsonaro procurou recuar. O senador declarou ter solicitado “expressamente” a Trump para evitar novas tarifas sobre empresas brasileiras e refutou as acusações feitas por Lula. No entanto, sua versão chegou após uma repercussão negativa já consolidada e não convenceu grande parte do público nas redes sociais.
Lula foi incisivo ao avaliar as declarações do senador: “Esse cidadão hoje aparece na imprensa dizendo ‘eu não falei nada’. Todo covarde é assim; fala as besteiras que fala e depois não tem coragem para assumir”.
O próximo passo relacionado às tarifas será uma consulta pública promovida pelo Escritório de Comércio da Casa Branca. Nela, o setor privado poderá se manifestar antes da divulgação do relatório final previsto para até 15 de julho. A decisão final sobre a aplicação das tarifas caberá exclusivamente a Trump.
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com informações de agências
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