Luiz Carlos Barreto, conhecido carinhosamente como “Barretão”, faleceu aos 98 anos, marcando o fim de uma das mais significativas trajetórias do cinema no Brasil. Ele foi produtor, fotógrafo e roteirista, desempenhando um papel crucial na transformação do audiovisual brasileiro em uma indústria que alia excelência artística com sucesso comercial e reconhecimento global. Sua morte foi confirmada nesta quarta-feira (22) pelo Hospital Copa Star, localizado no Rio de Janeiro, onde estava internado devido a uma infecção pulmonar resultante de pneumonia.
Em 1963, juntamente com sua esposa, Lucy Barreto, ele fundou a L.C. Barreto Produções. Ao longo de mais de sessenta anos, a produtora foi responsável pela realização de mais de 80 filmes e teve um papel fundamental na revelação de diretores, atores e roteiristas que deixaram suas marcas na cultura brasileira.
Do Cinema Novo ao Oscar
Partícipe ativo da geração do Cinema Novo, Barreto esteve envolvido em obras importantes como Vidas Secas e Terra em Transe, promovendo um cinema que refletia as realidades sociais do Brasil. Sua contribuição mais significativa foi conseguir conectar o cinema nacional ao grande público sem comprometer a qualidade artística das produções.
Essa abordagem resultou em reconhecimento internacional nas décadas de 1990. Os filmes O Quatrilho (1995), sob direção de Fábio Barreto, e O Que É Isso, Companheiro? (1997), dirigido por Bruno Barreto e produzidos pela L.C. Barreto, foram indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional, reposicionando o Brasil como um ator relevante na cena cinematográfica global.
Muito além das estatuetas
A filmografia de Barretão abrange clássicos como Dona Flor e Seus Dois Maridos, que durante anos deteve o título de maior bilheteira da história do cinema brasileiro, além de obras como Assalto ao Trem Pagador e Lula, o Filho do Brasil. Antes de se aventurar no cinema, ele se destacou como fotojornalista na revista O Cruzeiro, experiência que moldou sua perspectiva sobre o país.
Legado permanente
Cineastas, autoridades e representantes culturais ressaltaram a importância do trabalho de Barreto na defesa da democracia, do Cinema Novo e no fomento a políticas públicas voltadas para o audiovisual. A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) expressou seu apoio à família e amigos do cineasta: “Uma vida dedicada ao cinema brasileiro. Mesmo em tempos difíceis de censura e limitações, ele sempre acreditou na força da nossa indústria audiovisual. Nunca deixou de acreditar nem parou de produzir filmes que nos enchem de orgulho. Um talento cuja falta será sentida profundamente; porém seu legado viverá através das telas”, afirmou.
Mais do que apenas criar filmes, Luiz Carlos Barreto contribuiu para edificar uma indústria cultural capaz de projetar a identidade brasileira internacionalmente. Seu legado é visível não só nas obras realizadas, mas também nas premiações internacionais conquistadas e no reconhecimento duradouro do cinema nacional tanto dentro quanto fora do Brasil.
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