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Arábia Saudita se une aos EUA em ações militares no Iraque pela primeira vez

Recife CotidianoRecife Cotidianojulho 30, 2026 95 Minutes read0

A Arábia Saudita anunciou nesta quarta-feira (29) sua participação em operações de bombardeio ao lado dos Estados Unidos, visando alvos das Forças de Mobilização Popular (PMF) no Iraque.

Esta é a primeira vez que o reino saudita revela publicamente uma ação militar direta em relação à guerra com o Irã, que teve início em fevereiro. A ofensiva foi criticada pelo governo iraquiano, que a considerou uma violação da soberania nacional e ampliou o número de países envolvidos no conflito regional.

Na mesma data, um drone atacou um terminal de armazenamento de gás no porto egípcio de Damietta, no Mediterrâneo, gerando um incêndio e marcando o primeiro incidente conhecido da guerra em solo egípcio.

De acordo com as autoridades de Riad e Washington, os bombardeios foram direcionados a milícias aliadas ao Irã, acusadas de realizar ataques com drones contra instalações petrolíferas sauditas e bases militares dos EUA.

O Ministério da Defesa da Arábia Saudita afirmou que essa operação foi uma resposta aos lançamentos de drones oriundos do território iraquiano. Por sua vez, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou que os ataques tinham como objetivo neutralizar as milícias responsáveis por ameaçar a infraestrutura energética do Golfo.

No entanto, o governo do Iraque rejeitou essa justificativa. Em uma reunião extraordinária, o Conselho de Segurança Nacional classificou os bombardeios como uma “flagrante violação da soberania iraquiana” e das normas internacionais.

O primeiro-ministro Ali al-Zaidi cancelou uma visita oficial à Arábia Saudita marcada para esta quinta-feira (30) e exigiu que Washington e Riad apresentem evidências de que os supostos ataques contra a Arábia partiram do território iraquiano.

Conforme informações das autoridades iraquianas, os bombardeios atingiram bases das PMF em sete províncias e resultaram na morte de pelo menos 20 combatentes.

As PMF consistem em uma coalizão de forças paramilitares xiitas formadas em 2014 para combater o autoproclamado Estado Islâmico (EI), tendo sido posteriormente integradas às forças armadas do Iraque.

A criação desse grupo contou com significativo apoio do general iraniano Qassem Soleimani, comandante da Força Quds, que foi assassinado pelos Estados Unidos em um ataque em Bagdá em 2020.

Funerais de integrantes das forças paramilitares foram realizados em cidades como Mossul e Najaf. Grupos da resistência iraquiana prometeram retaliar caso o governo não consiga garantir a proteção da soberania nacional.

A entrada da Arábia Saudita na guerra envolve um dos países mais ricos do Oriente Médio e uma das principais potências militares da região. O reino é conhecido por ter o maior Produto Interno Bruto (PIB) do mundo árabe e por ser o maior exportador global de petróleo. Graças às receitas obtidas com o setor energético, mantém um dos maiores orçamentos militares do mundo, equipado majoritariamente com armamentos adquiridos dos Estados Unidos e da Europa.

No outro lado está o Irã, que ocupa a posição de segunda maior economia do Golfo e é a principal potência militar regional em termos de efetivos e produção local de mísseis e drones. O país possui capacidade de projeção militar através de aliados como Hezbollah, PMF, houthis e grupos palestinos.

A rivalidade histórica entre Riad e Teerã tem moldado há décadas o equilíbrio estratégico no Oriente Médio. O envolvimento direto dessas nações representa um fator crucial para a evolução atual do conflito.

Mudança na abordagem

Embora tenha sido mencionada por diversas fontes internacionais como participante discreta em operações nos últimos meses, esta é a primeira vez que a Arábia Saudita reconhece oficialmente sua participação ativa na campanha militar liderada pelos EUA.

Essa decisão sinaliza uma mudança significativa na postura adotada por Riad desde o início do conflito.

Apesar das rivalidades históricas com Teerã, a monarquia saudita vinha buscando reduzir tensões com seu vizinho nos últimos anos enquanto tentava manter seus planos de diversificação econômica previstos na estratégia Visão 2030.

No entanto, a continuidade do conflito começou a impactar diretamente os interesses sauditas.

Além dos ataques às instalações petrolíferas, o reino enfrenta dificuldades para exportar petróleo devido ao fechamento do Estreito de Ormuz e lida com novas ameaças no Mar Vermelho.

Recentemente, o movimento Ansar Allah — mais conhecido como houthis — anunciou um bloqueio a portos, navios e cargas sauditas no Mar Vermelho. Essa ação afeta gravemente a principal rota utilizada pela Arábia Saudita para contornar as restrições ao transporte marítimo pelo Golfo Pérsico.

Aprofundamento da aliança com Washington

A participação pública da Arábia Saudita no conflito ocorre poucos dias após a assinatura entre Washington e Riad de um histórico acordo sobre cooperação nuclear civil.

Esse entendimento estabelece uma parceria duradoura para desenvolver o programa nuclear saudita e intensifica a cooperação estratégica entre os dois países num contexto marcado pela crescente instabilidade no Oriente Médio.

Ainda que esse acordo tenha sido divulgado oficialmente como voltado para geração energética e diversificação econômica saudita, sua divulgação ocorreu durante um período de escalada militar regional e fortaleceu os laços entre Donald Trump e o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.

Analistas observam que a liderança saudita parece considerar necessário demonstrar que quaisquer ataques contra seu território acarretarão consequências para seus adversários. Ao assumir publicamente ações ofensivas no Iraque, Riad também indica um alinhamento mais próximo à estratégia militar norte-americana.

A guerra se expande pelo Oriente Médio

A oficialização da participação saudita amplia a regionalização da guerra desencadeada após os ataques ilegais conduzidos pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Nos últimos dois dias, houve um aumento nas hostilidades com ataques iranianos direcionados às forças americanas na Jordânia; uma nova série de bombardeios dos EUA contra alvos da Guarda Revolucionária no Irã; além do ataque realizado por drone que causou incêndio em um terminal gasífero no Egito.

No entendimento iraquiano, os bombardeios desta quarta-feira estabelecem um novo precedente para a expansão do conflito para regiões que até então buscavam evitar envolvimento direto nas disputas entre Washington, Tel Aviv e Teerã.

A inclusão deste novo aliado regional nas operações militares abertas resulta numa nova fase do conflito, caracterizada pelo aumento dos riscos de escalada bélica e pela multiplicação das fontes de tensão no Oriente Médio.

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Arábia SauditaEstados UnidosForças de Mobilização Popularguerra no oriente médioInternacionalIrãIraqueMohammed bin Salmanoriente médio

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