Vídeos antigos, alianças com o PT, declarações sobre obras e a polêmica PEC da Blindagem colocam a gestão do prefeito do Recife sob forte pressão popular e digital.
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), vive um dos momentos mais desafiadores de sua carreira política, em meio a uma onda de críticas intensificadas por influenciadores digitais e pela repercussão negativa de decisões recentes. Vídeos antigos voltaram a circular, nos quais o então candidato assegurava que, em sua gestão, não haveria espaço para indicações políticas do PT. Anos depois, no entanto, João aparece em outro registro público ao lado do presidente Lula, declarando fidelidade: “Onde o senhor tiver no meu estado e na minha cidade eu estarei ao seu lado, defendendo seu nome e dizendo que eu sou um soldado do senhor”.
As cobranças também atingem o vice-prefeito Victor Marques, que afirmou recentemente que a Prefeitura assumiria as obras do Túnel da Abolição, gerando críticas sobre a capacidade da gestão em resolver problemas históricos da cidade.
A polêmica mais recente, no entanto, foi a PEC da Blindagem, aprovada com votos favoráveis de toda a bancada do PSB de Pernambuco, incluindo o deputado Pedro Campos, irmão do prefeito. A repercussão negativa foi imediata, levando João Campos, que também preside nacionalmente o PSB, a se pronunciar em vídeo dizendo ser “completamente contrário” à proposta. A declaração, contudo, levantou questionamentos: se não fosse a pressão popular, haveria recuo?
O desgaste atinge não apenas a imagem do prefeito, mas também a longa hegemonia do PSB em Pernambuco, que governou o estado por 16 anos e já soma 13 anos à frente da Prefeitura do Recife. João Campos, antes de assumir o Executivo municipal, foi chefe de gabinete do ex-governador Paulo Câmara, reforçando sua ligação direta com a estrutura que hoje é alvo de duras críticas.

