O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu uma ligação do presidente colombiano, Gustavo Petro, para discutir os preparativos da próxima cúpula da Celac, marcada para 21 de março em Bogotá.
Nos últimos dias, Lula tem intensificado o diálogo com líderes da América Latina, especialmente devido às discussões nos Estados Unidos sobre a possível classificação de facções brasileiras como organizações terroristas.
O governo brasileiro adotou uma postura diplomática cautelosa, buscando fortalecer a cooperação regional e a integração política do continente, sem confrontos com Donald Trump.
Integração regional no centro da agenda
O diálogo entre Lula e Petro focou na integração latino-americana e caribenha para a próxima cúpula da Celac, onde líderes discutirão cooperação política, desenvolvimento e relações internacionais.
Petro também informou sobre uma reunião Celac-África no mesmo dia da cúpula, buscando ampliar a cooperação entre países do Sul Global e reforçar laços entre América Latina e África.
Os dois presidentes confirmaram presença na reunião internacional “Em Defesa da Democracia” que acontecerá em Barcelona, promovida pelo governo espanhol em abril.
Diálogo com o continente
Lula também teve uma conversa com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, abordando temas econômicos, cooperação energética e a organização de uma futura visita da líder mexicana ao Brasil.
O esforço do governo brasileiro em fortalecer o diálogo político na região vem em um momento em que questões como segurança pública e crime transnacional têm sido usadas para justificar ações agressivas dos Estados Unidos contra territórios soberanos.
Crime organizado e cooperação internacional
Brasília está preocupada com debates em Washington sobre classificar facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O governo brasileiro defende o combate ao crime transnacional por meio de cooperação policial e compartilhamento de inteligência, não por classificações unilaterais.
A legislação brasileira define terrorismo com base em motivações ideológicas ou discriminatórias, o que difere da natureza criminosa dessas facções.
Preparação para a cúpula da Celac
A próxima reunião da Celac em Bogotá ocorrerá em meio a uma agenda de segurança promovida pelos Estados Unidos na região. O Brasil, no entanto, mantém o foco na integração latino-americana, desenvolvimento econômico, cooperação energética e diplomacia.
A estratégia busca manter o diálogo tanto com parceiros regionais quanto com os Estados Unidos, evitando que divergências causem uma crise diplomática.
A diplomacia da cautela
A política externa brasileira prioriza a negociação e o multilateralismo. Os recentes contatos com líderes regionais indicam esforço de coordenação política, sem transformar a segurança em uma disputa aberta.
O Brasil prefere responder às pressões internacionais com diálogo e cooperação, mantendo o foco na integração regional.

