O prazo dado pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) para que 18 corporações dos Estados Unidos deixassem suas instalações no Oriente Médio encerrou-se às 13h30 (horário de Brasília) desta quarta-feira (1º). Apesar de não terem sido registrados ataques até o momento, a região continua em estado de alerta máximo, com a possibilidade de ações contra os interesses econômicos de Washington e Tel Aviv.
Essa medida é uma resposta direta à crescente agressão dos Estados Unidos e de Israel contra a soberania iraniana. Na terça-feira passada (31), Teerã identificou empresas como Microsoft, Google, Apple, Tesla e Boeing como alvos legítimos, acusando-as de colaborar com operações de inteligência e rastreamento usadas em ataques contra o Irã.
Até o presente momento, nenhuma das empresas de tecnologia confirmou publicamente a evacuação de suas sedes em cidades como Riad ou Abu Dhabi. No entanto, especialistas em segurança internacional alertam que o término do prazo não significa o fim da ameaça; a estratégia de Teerã muitas vezes envolve o uso de incerteza e guerra psicológica para desestabilizar a presença estrangeira no Golfo.
Retirada preventiva do capital financeiro
O capital financeiro do Ocidente já começou a se retirar estrategicamente de centros importantes na região. Bancos iniciaram o fechamento de agências desde meados de março, em resposta a ameaças anteriores que agora se tornaram mais sérias.
O Citigroup (Citi) concluiu a retirada total de seus escritórios no Dubai International Financial Centre (DIFC) e em Oud Metha. A maioria das agências nos Emirados Árabes Unidos permanece fechada, com exceção de uma unidade no Mall of the Emirates. O banco continua a orientar o trabalho remoto para evitar riscos para seus funcionários técnicos.
O HSBC suspendeu suas operações completamente no Catar. Todas as filiais, incluindo as três agências principais em Doha, estão fechadas até novo aviso. O banco justificou a medida com a necessidade de garantir a segurança dos funcionários e dos ativos.
O Standard Chartered seguiu o movimento de fechamento e relatou a evacuação de seus escritórios em Dubai diante da piora da situação regional.
A retirada dessas instituições revela a fragilidade da situação atual. Enquanto a Casa Branca declara estar pronta para frustrar qualquer ação, o esvaziamento dos centros financeiros em Dubai e no Catar mostra que o mercado já considera a eficácia da resistência de Teerã.

