“Caso não tomemos as devidas precauções, esse grupo poderá vender o Brasil”, advertiu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma entrevista concedida ao ICL Notícias nesta quarta-feira (8). Ele se referia ao comportamento entreguista de segmentos da extrema direita brasileira, destacando figuras como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que são pré-candidatos à presidência.
No início do diálogo com o jornalista Leandro Demori e o economista Eduardo Moreira, Lula abordou as eleições deste ano: “Há um movimento para firmar um esquema ultradireitista no país que visa acabar com a democracia. Eles ainda sonham em fechar a Suprema Corte, alegam que a urna eletrônica possibilitou fraudes e desacreditam instituições essenciais ao funcionamento democrático”.
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<p“Portanto, esta será uma eleição em que a defesa da democracia será um tema central”, ressaltou. Ele enfatizou a importância de esclarecer à sociedade o verdadeiro significado da democracia. “Democracia não é um conceito abstrato; vai além do direito ao voto. Trata-se do poder do cidadão de controlar seu voto e exigir que os eleitos cumpram com os compromissos assumidos durante a campanha”.
Lula destacou ainda que é necessário mostrar à população que democracia implica no “direito fundamental de todos serem cidadãos plenos”, o que depende do acesso à saúde, educação, moradia digna, trabalho adequado, aumento de renda, cultura e lazer. “Devemos explicar que democracia é garantir melhorias na qualidade de vida das pessoas”, afirmou.
Quarto mandato
<pO presidente recordou o estado devastador em que se encontrava o Brasil após quatro anos sob a presidência de Jair Bolsonaro e mencionou algumas conquistas significativas alcançadas desde 2023, incluindo avanços na economia e no emprego.
Ao discutir sua possível reeleição, Lula defendeu a necessidade de mudanças estruturais profundas no país. “Por que eu desejaria um quarto mandato? Entendo ser crucial darmos um salto qualitativo, pois costumamos discutir apenas os efeitos sem abordar as causas. Agora é hora de focar nas raízes dos problemas brasileiros para promover transformações reais”.
Ele exemplificou as transformações na educação desde seu primeiro governo. “Para vocês terem uma ideia, terminaremos nosso mandato com 780 institutos federais — anteriormente havia apenas 140. Nos governos Lula e Dilma, construímos mais universidades e campi do que em toda a história do Brasil. Isso representa um legado crescente para o futuro. Hoje já vejo procuradores da República, advogados da União e defensores públicos beneficiados pelo Pró-Uni e pelo Fies”, relatou.
No entanto, ele alertou: “É necessário refletir sobre qual Estado desejamos construir daqui para frente. Eu não quero um Estado onde fiquemos subordinados ou quase sequestrados pelo orçamento secreto; atualmente, 60% desse orçamento vai para deputados e senadores. Isso não é justo nem para o Legislativo nem para o Executivo. Temos que executar o orçamento porque a sociedade nos confiou um mandato para governar este país”.
Segurança Pública
A questão da segurança pública, preocupação central entre os brasileiros, também foi abordada pelo presidente. Ele ressaltou as iniciativas do governo visando aumentar a atuação do Executivo Federal no combate ao crime organizado.
Lula recordou que na Constituição de 1988 “a segurança pública foi delegada aos estados — a União tinha pouco papel nessa área. Atualmente dispõe de um fundo de R$ 2 bilhões para repassar aos estados e conta com a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF)”.
O presidente completou: “Aprovamos e sancionamos a Lei Antifacção e espero que aprovem a PEC da Segurança Pública para criar um Ministério dedicado à Segurança Pública e definir melhor as atribuições da União”.
Lula expressou seu desejo de implementar uma política de segurança pública efetiva, aumentando os recursos da PF, aprimorando inteligência e cuidando das fronteiras do país por meio da PRF nas estradas.
Além disso, afirmou ser necessário estabelecer uma Guarda Nacional “para intervenções rápidas em casos como bloqueios ou tentativas de facções criminosas dominarem cidades ou bairros… A sociedade precisa que o governo federal atue rapidamente e isso depende da aprovação da nossa PEC”.
Defesa ante o imperialismo
<pNesse sentido, considerando o cenário internacional atual marcado pelo avanço do imperialismo dos Estados Unidos, Lula enfatizou a necessidade de reavaliar as estratégias de defesa nacional. “Um país com 16,8 mil km de fronteira seca e 8,5 mil km marítima não pode descuidar dessa questão crucial”, opinou.
Ele acrescentou: “Com 12% da água doce mundial e sendo detentor da maior floresta tropical do planeta, além de possuir recursos minerais críticos e petróleo abundante, temos que levar mais a sério nossa segurança nacional”.
O presidente comentou ainda sobre como “hoje é imprescindível que o Brasil considere sua defesa com seriedade em prol dos 215 milhões de brasileiros; não podemos pensar apenas na segurança do presidente”. Em uma referência indireta ao ex-presidente Donald Trump, disse: “A qualquer momento alguém pode tentar invadir nosso território… Há indivíduos no mundo acreditando serem imperadores; todo dia fazem declarações através das redes sociais afetando outros países”.
Neste contexto, Lula mencionou a relação próxima entre Flávio Bolsonaro e setores extremistas nos EUA e os perigos envolvidos para a soberania nacional. “Ele (Flávio) está propondo entregar aos EUA recursos valiosos para nós… O ato realizado por Caiado em Goiás foi vergonhoso: firmar acordos com empresas americanas sobre questões sob responsabilidade da União é inaceitável. Portanto, se não tivermos cuidado suficiente, essa turma pode acabar vendendo o Brasil.”
No final de março passado, Flávio ofereceu recursos naturais brasileiros como moeda para interesses geopolíticos dos EUA. No mesmo período, Caiado assinou um memorando com representantes do governo Trump visando explorar minerais críticos em Goiás.
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Lula acrescentou: “Desejamos aproveitar esta transição energética relacionada às terras raras para promover uma revolução necessária no século 21 no Brasil. Já perdemos muitas oportunidades antes; não podemos deixar passar mais esta.” Também anunciou que será criado um conselho sob sua gestão especificamente voltado para lidar com terras raras.
A respeito da possibilidade de Trump contestar os resultados eleitorais caso Lula vença novamente as eleições, ele declarou: “Com Trump nada é impossível”. Contudo ponderou: “Nenhum país tem autoridade para questionar nossa integridade eleitoral… Se houvesse realmente fraude nas urnas eletrônicas, Lula não estaria aqui como presidente hoje.” Ao final destacou que o Brasil busca respeito nas relações internacionais: “Não queremos briga com os EUA ou qualquer outro país; apenas desejamos respeito”.

