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Flávio Bolsonaro: o postulante que abre as portas do Brasil para os Estados Unidos

Recife CotidianoRecife Cotidianoabril 9, 2026 995 Minutes read0

Com base nas suas próprias declarações, o pré-candidato à presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, revela-se como um político que se destaca por seu pragmatismo. Sua abordagem em relação à soberania nacional é preocupante, já que a considera uma ferramenta de negociação, refletindo uma dependência de legitimação externa, especialmente em busca do apoio dos Estados Unidos, e apresenta uma visão geopolítica que aceita o Brasil em um papel subalterno.

Internamente, Flávio demonstra uma postura forte e hostil em relação às instituições brasileiras, com ênfase no STF (Supremo Tribunal Federal) e figuras como o ministro Alexandre de Moraes. Sua retórica sugere uma disposição para soluções excepcionais, incluindo a “utilização da força”, encaradas como legítimas no contexto político.

Pelas suas falas públicas, fica claro o caminho que Flávio Bolsonaro pretende traçar: ele mesmo delineia sua visão sobre o exercício do poder e, principalmente, sobre a posição do Brasil no cenário internacional.

No evento CPAC, realizado no Texas em março de 2026, diante de um público conservador americano, ele solicitou intervenções nas eleições brasileiras. “O que nós queremos agora é que os Estados Unidos façam pressão diplomática para que as eleições brasileiras sejam ‘livres’ (SIC)”, afirmou. Reiterou: “Precisamos de pressão diplomática dos Estados Unidos dentro do Brasil”, indicando que não se tratava de um comentário isolado, mas de uma insistente demanda para que se aplicasse tal pressão para restaurar o funcionamento adequado das instituições nacionais.

O convite para monitoramento foi direto: “Monitorem a liberdade de expressão do nosso povo”. Essa declaração denota uma crítica ao sistema eleitoral brasileiro e um desprezo pela integridade das instituições que validaram sua própria trajetória como deputado e senador.

A lógica do entreguismo se concretiza com sua apresentação do Brasil como um ativo estratégico na política externa de Donald Trump: “O Brasil é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China em relação a terras raras e minerais críticos”. A mensagem geopolítica foi contundente: “Sem esses componentes, a produção militar avançada que assegura a superioridade americana cairá nas mãos dos adversários”. Ele concluiu enfatizando que “quando os Estados Unidos ficam vulneráveis, todo o mundo livre fica vulnerável”. Nesse raciocínio, o Brasil não é um ator soberano, mas sim um fornecedor de segurança estratégica para outra nação.

Essa troca — apoio externo por interferências internas — apareceu novamente de forma explícita nas redes sociais em dezembro de 2025. Ao comentar sobre a política tarifária de Trump, Flávio escreveu: “Presidente Donald Trump faz um gesto gigantesco pela anistia no Brasil… um primeiro passo para normalizar as relações entre Brasil/EUA”. Ele foi direto ao ponto ao afirmar: “Vamos votar o projeto de lei da anistia… Se aprovado, tenho certeza de que os EUA retirarão totalmente as sobretaxas sobre produtos brasileiros. A responsabilidade está conosco”. Essa frase ilustra bem a dinâmica: uma chantagem envolvendo a anistia a Jair Bolsonaro atrelada ao alívio tarifário por parte de uma potência estrangeira.

Desrespeito às instituições

No tocante ao Supremo Tribunal Federal, suas declarações se tornam confrontacionais. Em várias entrevistas e manifestações públicas em 2025, ao imaginar cenários nos quais decisões do Congresso fossem bloqueadas pela Corte, ele declarou: “Estamos falando da possibilidade de uso da força e interferência direta entre os Poderes”. Desafiar a legitimidade das decisões judiciais tornou-se uma constante em suas falas. Em gravações anteriores, questionou abertamente: “O que é o STF? Tira o poder da caneta da mão de um ministro… O que ele representa na rua? Se você prender um ministro do STF, acredita que haverá manifestações populares?”.

Em eventos bolsonaristas onde a bandeira dos Estados Unidos estava presente — como na manifestação em Copacabana em 2025 — seus discursos continuaram nessa linha. Diante dos apoiadores comentou sobre Alexandre de Moraes: “Ele tem traços de psicopatia”. No mesmo evento reiterou seu objetivo central ao desafiar uma decisão judicial: “O texto que iremos apresentar será para anistiar todos aqueles perseguidos… não aceitaremos uma anistia que não contemple também o presidente Bolsonaro”.

Durante entrevistas concedidas à imprensa em 2025 sobre pressões externas, utilizou uma analogia extrema comparando com eventos da Segunda Guerra Mundial: “Se você observar os Estados Unidos durante a guerra com o Japão? Lançaram bombardeios atômicos em Hiroshima e Nagasaki para demonstrar força”. Finalizou dizendo: “Essa situação deve ser encarada como uma negociação bélica… cabe a nós evitar que duas bombas atômicas caiam aqui no Brasil”, retratando o país como aquele que deve ceder para evitar destruição.

A normalização dessa submissão pode ser vista até mesmo em interações informais. Em 2025, ao mencionar ações das forças dos EUA contra tráfico marítimo, Flávio postou: “Que inveja! Ouvi dizer que há barcos como este aqui no Rio de Janeiro… você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando?”. Embora tenha soado informalmente leve, essa frase sugere aceitação da presença estrangeira atuando dentro do território brasileiro sem considerar as Forças Armadas nacionais.

Essas declarações formam um padrão claro: solicitações por intervenções externas, oferta de minérios para fins militares estrangeiros e barganhas tarifárias vinculadas à anistia são elementos recorrentes. O ex-assessor presidencial apresenta o Brasil como um objeto passível de troca desde que sua família assuma novamente o poder.

No final das contas, há um choque evidente com a realidade institucional: ao assumir funções oficiais, o presidente eleito deverá cumprir com o compromisso constitucional estabelecido no Artigo 78 ao jurar “manter, defender e cumprir a Constituição” e “sustentar a união, integridade e independência do Brasil”. A Soberania Nacional é um princípio fundamental inscrito no Artigo 1º da República e deve ser defendido pelo mandatário. O juramento é feito à Constituição brasileira e não à norte-americana.

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