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Daniel Noboa, parceiro de Donald Trump, busca influenciar as eleições na Colômbia

Recife CotidianoRecife Cotidianoabril 30, 2026 413 Minutes read0

Faltando um mês para as eleições presidenciais na Colômbia, o presidente do Equador, Daniel Noboa, que possui afinidade com Donald Trump, está tentando influenciar o processo eleitoral colombiano ao fazer acusações sobre supostas conexões do governo de Gustavo Petro com guerrilheiros.

Nesta quarta-feira (29), Noboa, sem fornecer evidências concretas, alegou que uma suposta “incursão” de guerrilheiros pela fronteira norte estaria sendo orquestrada pelo governo colombiano. Essa declaração provocou uma resposta rápida do presidente Petro, que classificou as afirmações como “mentiras” e convidou Noboa para um encontro na divisa dos dois países.

“Diversas fontes nos relataram sobre uma incursão de guerrilheiros colombianos pela fronteira norte, promovida pelo governo de Petro”, afirmou Noboa em suas redes sociais.

O presidente equatoriano continuou: “Presidente Petro, concentre-se em melhorar a vida do seu povo em vez de tentar transferir problemas para os países vizinhos”.

As acusações foram feitas sem qualquer detalhamento acerca de local ou data da suposta incursão, intensificando assim as tensões entre as nações e gerando preocupações sobre a interferência nas eleições colombianas em um contexto já delicado de relações políticas, comerciais e militares.

A resposta de Gustavo Petro surgiu poucas horas depois, também por meio das redes sociais.

O mandatário colombiano negou as alegações e se dirigiu diretamente a Noboa: “Dirija-se à fronteira norte e encontre-se comigo; juntos podemos construir a paz nesses territórios; não acredite em mentiras”.

Nos últimos dias, Noboa fez declarações infundadas sobre um suposto relacionamento entre Petro e o narcotraficante José Adolfo Macías Villamar, conhecido como “Fito”, líder da organização criminosa Los Choneros, uma das principais facções do crime no Equador.

Conforme afirmado por Noboa, Petro teria se encontrado com Fito durante uma visita à cidade litorânea de Manta em 2025, após participar da cerimônia de posse presidencial em Quito. No entanto, essa acusação também foi feita sem nenhuma prova que a sustentasse.

Petro refutou essa alegação e comentou que ela provém de interpretações frágeis de relatórios de inteligência. “Até mesmo o advogado de Fito desmente essa versão absurda da inteligência equatoriana que serve a Noboa para me difamar”, escreveu o presidente colombiano.

Ele também explicou que as alegações das autoridades equatorianas se baseiam em supostos “movimentos estranhos” envolvendo sua equipe de segurança. “Segundo os serviços de inteligência do Equador, os movimentos considerados ‘estranhos’ da minha escolta — composta por agentes da Polícia Nacional e da UNP — indicariam uma conversa entre mim e ‘Fito’; essa é a evidência apresentada”, declarou.

Em tom crítico, Petro acrescentou que essas movimentações eram apenas atividades normais: “Os movimentos considerados estranhos são apenas eu recebendo comida e interagindo com quem me auxilia na redação do meu livro”.

Esse episódio se insere em uma série de conflitos recentes entre Bogotá e Quito, cujas relações vêm se deteriorando desde o início de 2026 devido à implementação de tarifas comerciais pelo Equador.

A princípio fixadas em 30%, essas tarifas foram gradualmente elevadas até chegar a 100% sobre diversos produtos colombianos, com a implementação programada para 1º de maio.

A Colômbia respondeu adotando medidas equivalentes, exacerbando assim a disputa econômica entre os dois países.

No mês passado, o governo equatoriano confirmou bombardeios em regiões adjacentes à Colômbia enquanto aprofundava sua cooperação militar com os Estados Unidos e intensificava operações contra grupos armados na área.

Outro ponto crítico nas relações é o caso do ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, condenado por corrupção. Petro classificou Glas como um “preso político”, enquanto o governo equatoriano considerou essa afirmação como uma ingerência nos assuntos internos do país.

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