No evento em celebração ao Dia Mundial do Livro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado por seus ministros, anunciou o lançamento do novo Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL 2026–2035), além de revelar a ampliação do aplicativo MEC Livros. Essas iniciativas são vistas como políticas públicas fundamentais para aumentar o acesso à leitura no Brasil.
O presidente enfatizou que é responsabilidade do Estado assegurar que todos tenham acesso à leitura, ressaltando que essa prática é vital para o progresso social. Durante sua fala no 9º Prêmio Vivaleitura, Lula declarou que “ninguém se interessa pelo que não conhece”, sublinhando a importância de facilitar o acesso ao conhecimento.
Lula também conectou a política de leitura com a necessidade de reconstruir o país após um período de retrocessos, defendendo que os investimentos públicos são essenciais para democratizar oportunidades e formar cidadãos mais críticos. O objetivo do plano é democratizar o acesso aos livros, fortalecer bibliotecas e promover a integração entre cultura e educação, com metas voltadas para aumentar o número de leitores e reconhecer a leitura como um direito fundamental.
O presidente criticou uma parte da elite brasileira, afirmando que esta tenta “manter o povo na escuridão da desinformação e da ignorância”.
Em relação ao MEC Livros, Lula esclareceu que a proposta não é substituir os livros físicos, mas sim democratizar seu acesso. “Queremos valorizar as pequenas livrarias e editoras que produzem cultura e sustentam famílias”, afirmou.
O presidente apresentou dados relevantes para justificar os investimentos na educação: formar um engenheiro aeroespacial na Universidade Federal do ABC custa R$ 20 mil anualmente; enquanto no Instituto Federal esse valor é de R$ 16 mil. Em contrapartida, mencionou que manter um preso em São Paulo custa R$ 60 mil por ano; em presídios de segurança máxima, esse custo chega a R$ 40 mil mensalmente. “Esses números desmontam o argumento de que investir em educação é um gasto”, disse ele.
Pacto contra o feminicídio e literatura como ferramenta transformadora
Lula também abordou o pacto nacional contra o feminicídio, assinado com os poderes Legislativo e Judiciário. “A luta contra a violência à mulher não é apenas das mulheres; é uma batalha dos homens, pois eles são os perpetradores”, declarou.
<pO presidente recomendou a obra Um Hino à Vida, escrita por Gisela Pelicô, que narra a trajetória de uma mulher que denunciou abusos vividos durante 50 anos de casamento. “Muitas vezes as mulheres sofrem em silêncio. Precisamos transmitir a mensagem de que respeitar as mulheres é uma obrigação e um direito fundamental”, concluiu.
Cultura como meio de inclusão e transformação social
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou que as políticas incentivadoras da leitura têm um impacto significativo nas vidas das populações mais vulneráveis. Em sua apresentação, ela mencionou iniciativas voltadas para aumentar o número de bibliotecas, estimular a produção literária e reforçar toda a cadeia cultural. Somente em 2026, foram enviados 2.046 milhões de livros literários para 4.106 bibliotecas em funcionamento. Atualmente, existem no Brasil 3.410 bibliotecas públicas e 696 comunitárias.
De acordo com a ministra, dados recentes revelam um crescimento no número de leitores no país, especialmente entre mulheres negras e pessoas de baixa renda, evidenciando o alcance social das políticas implementadas. Ela também reiterou a importância da conexão entre cultura e educação como uma estratégia para garantir o acesso aos livros em todo território brasileiro.
Recentemente, o Brasil registrou um aumento de 3 milhões no número de leitores; entre eles, mulheres negras representam 30% do total dos consumidores literários no país, formando assim o maior grupo leitor.
Educação e alfabetização como prioridades estratégicas
Leonardo Barchini, ministro da Educação, ressaltou os avanços obtidos na alfabetização e no acesso aos livros como resultado das políticas estruturais adotadas pelo governo federal.
Barchini apresentou os resultados do aplicativo MEC Livros, uma plataforma digital gratuita para empréstimo de obras literárias. Em menos de trinta dias desde seu lançamento, já havia registrado 575 mil usuários ativos e contabilizado 266 mil livros emprestados com mais de 100 mil leituras finalizadas dentro do prazo estipulado.
Duas alterações imediatas na plataforma foram anunciadas pelo ministro: ampliação do acervo disponível de 8 mil para 25 mil títulos (com inclusão gradual) e flexibilidade nos prazos para devolução dos livros. “A partir de amanhã, se você leu apenas 10% do livro e não gostou pode devolvê-lo para pegar outro; se leu rapidamente e quer continuar lendo outro livro também pode devolver”, explicou Barchini.
Ele ainda revelou que a Biblioteca Nacional já disponibilizou 253 obras na plataforma digital e informou sobre planos para expandir este acordo cooperativo. “Precisamos incentivar a leitura da produção literária nacional e compreender nossa história através dos livros; isso é essencial para nossa soberania”, enfatizou.
Barchini também anunciou que o governo adquiriu 719 milhões de livros por meio do Programa Nacional do Livro Didático — um aumento significativo em relação à gestão anterior — com um investimento adicional estimado em R$ 1,3 bilhão. No PNLD Literário, as aquisições triplicaram: passaram de 29 milhões para 84 milhões.
O ministro defendeu ainda a criação de mais bibliotecas e a articulação com programas educacionais como fundamentais para elevar os índices nacionais de leitura.
Premiação Vivaleitura homenageia práticas inovadoras
A cerimônia foi encerrada com a entrega do Prêmio Vivaleitura — uma iniciativa conjunta do MEC com o MinC e apoio da Organização dos Estados Ibero-americanos — reconhecendo 25 práticas inovadoras em cinco categorias: bibliotecas públicas e comunitárias; escolas; iniciativas contínuas em diversos espaços; escrita criativa; além do sistema prisional e socioeducativo.
Cada ganhador recebeu R$ 50 mil; já os finalistas classificados entre segundo e quinto lugares foram premiados com R$ 15 mil cada. O montante total investido na premiação foi superior a R$ 550 mil.
Dentre os projetos premiados destacaram-se iniciativas como Moara (PA), focada na experiência comunitária da leitura na Amazônia; Narrativas Subterrâneas (BA), garantindo às mulheres negras dos quilombos e periferias seu direito à escrita; além do projeto Escrevivências da Libertação, atuando na promoção da leitura criativa dentro do sistema prisional visando à remição penal.

