Um mês após o primeiro turno das eleições presidenciais no Peru, a nação ainda não definiu oficialmente os dois candidatos que avançarão para a segunda fase. Até esta terça-feira (12), com 99,76% das urnas contabilizadas, Roberto Sánchez, representante da esquerda, obteve 12% dos votos, apenas 0,09 ponto percentual à frente de Rafael López Aliaga, da extrema direita, que registra 11,91%.
Keiko Fujimori, líder da extrema direita e filha do ditador Alberto Fujimori, já assegurou sua participação na próxima etapa do pleito, que está programada para junho.
No embate pela segunda vaga na disputa presidencial, Roberto Sánchez, ex-ministro de Pedro Castillo e candidato da coalizão de esquerda, lidera com 12% dos votos válidos.
Logo atrás dele está Rafael López Aliaga, um empresário proeminente da extrema direita peruana, que contabiliza 11,91%. A diferença entre os dois postulantes é mínima: apenas 0,09 ponto percentual — uma quantia correspondente a algumas centenas de votos segundo as autoridades eleitorais locais.
De acordo com os dados oficiais, os dois candidatos estão separados por aproximadamente 14 mil votos.
A indefinição no resultado se deve a uma série de contestações levantadas durante a apuração. Isso levou o sistema eleitoral peruano a revisar manualmente milhares de atas eleitorais.
O Júri Nacional de Eleições (JNE) informou que mais de cinco mil atas foram contestadas e necessitaram de análise individual pela Justiça eleitoral. Os questionamentos surgiram devido a erros no preenchimento das cédulas, números inconsistentes e documentos que estavam ilegíveis.
Esse processo se estendeu ainda mais porque o Peru realizou simultaneamente cinco diferentes eleições, o que aumentou significativamente o volume de dados a serem verificados. Além disso, houve atrasos na entrega de materiais eleitorais, levando à necessidade de prorrogar parte da votação por mais 24 horas.
A situação se agravou quando cerca de 1.200 cédulas foram descobertas em um contêiner de lixo em Lima. Esse incidente resultou na abertura de investigações pelo Ministério Público sobre possíveis irregularidades no processo eleitoral.
Embora haja denúncias em andamento, missões internacionais de observação apontaram que não existem evidências concretas de fraude nas eleições. Entretanto, o ambiente político continua tenso no país, que já teve oito presidentes nos últimos dez anos.
Especialistas em política sugerem que algumas das impugnações podem ter motivações políticas: atrasar a finalização da contagem e tentar desviar votos dos oponentes em uma competição tão acirrada.
Conforme o JNE anunciou, o resultado oficial final deverá ser divulgado somente a partir do dia 15 de maio.

