Nesta quarta-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com ministros no Palácio do Planalto, onde criticou a nova tarifa de 25% proposta pelos Estados Unidos contra o Brasil, atribuindo a medida a motivações políticas e à ação de “traidores da pátria”.
Em seu discurso, Lula afirmou: “Estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, oriundos de disputas eleitorais”. Ele se referiu especificamente ao pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), que recentemente esteve nos Estados Unidos em um encontro com o presidente Donald Trump para discutir questões que considera prejudiciais ao país.
“Não existe disputa eleitoral em qualquer parte do mundo que possa justificar a traição à pátria, ou alguém que esteja disposto a vender seu país por interesses egoístas. Portanto, essa reunião é apenas um arranjo retórico para todos”, comentou Lula aos presentes.
O presidente destacou que o Brasil “não se intimida” e que não se submeterá a pressões externas.
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“Continuaremos a fazer o que sabemos fazer: dialogar com todos. Eu não tinha planos de comparecer ao G7 (grupo formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido), mas agora irei. É necessário que alguém busque restaurar a ordem em meio ao desmonte do multilateralismo, da democracia e a desvalorização das instituições”, acrescentou.
<pLula ainda fez referência ao clã Bolsonaro, afirmando que o Brasil “não adotará mais uma postura subserviente” perante as grandes potências.
“Estamos em um momento crucial para que tanto a sociedade brasileira quanto uma parte da comunidade internacional reconheçam o fortalecimento da democracia em nosso país. Lutamos pelo multilateralismo e para que nossa nação não seja vista como uma republiqueta insignificante. Nós temos uma grande história e não podemos aceitar o tratamento dispensado pelos Estados Unidos ao Brasil esta semana”, disse ele.
Reunião com Trump
Lula recordou que durante sua última conversa com Donald Trump em Washington no início de maio, foi acordado que representantes dos dois países teriam um prazo de 30 dias para discutir as taxas remanescentes na tentativa de chegar a um consenso.
“Na reunião anterior, houve divergências entre meu ministro da Indústria e Comércio e meu ministro das Relações Exteriores em relação ao ministro do Comércio deles. Propus ao Trump que déssemos 30 dias para os ministros chegarem a um entendimento. Essa conversa ainda não resultou em nada. Por isso fiquei surpreso com mais uma decisão anunciada sobre tarifas contra o Brasil. Saí convencido de que estávamos criando uma nova dinâmica no relacionamento civilizado entre Brasil e Estados Unidos. Fui pego de surpresa pela decisão deles”, declarou Lula.
De acordo com informações do Planalto, o governo brasileiro apresentou argumentos substanciais em resposta à recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a imposição da taxa de 25% sobre produtos brasileiros.
Em comunicado oficial, além de expressar indignação, o governo listou diversos fatos que contestam a recomendação feita pelo USTR.

