Uma recente postagem do ex-presidente Donald Trump em sua plataforma, o Truth Social, elogiando o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se tornou um elemento crucial que revela os interesses ocultos da extrema direita no Brasil. Essa manifestação virtual aconteceu na terça-feira (2), coincidindo com a divulgação de uma proposta do governo dos Estados Unidos que sugere a imposição de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros, revelando uma contradição na postura da comitiva bolsonarista.
O post de Trump foi feito exatamente uma semana após um encontro entre ele e Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca, realizado na terça-feira (26). Na legenda das fotos oficiais do encontro reservado, Trump expressou: “Foi ótimo receber Flávio Bolsonaro no Salão Oval — um jovem inteligente que ama profundamente seu país, o Brasil!”. As imagens incluem, além de Flávio, o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o comentarista de extrema direita Paulo Figueiredo.
Motivos para as tarifas sobre o Brasil
A nova ofensiva tarifária dos Estados Unidos contra o Brasil fundamenta-se em conclusões enganosas de uma investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que foi finalizada antes do prazo acordado. O relatório elaborado pelo embaixador Jamieson Greer, chefe da Representação Comercial dos EUA (USTR), divulgado na segunda-feira (1º), adota um viés protecionista ao afirmar que as práticas regulatórias e comerciais brasileiras são “irrazoáveis” e prejudicam ou limitam o comércio americano.
As áreas de conflito incluem o comércio digital e os serviços de pagamento eletrônico, sob a justificativa de que penalidades impostas a redes sociais americanas e um suposto favorecimento ao sistema Pix afetam empresas dos EUA. O relatório da USTR também menciona deficiências no combate à corrupção, proteção das patentes farmacêuticas, quebra de acordos no setor de etanol e questões relacionadas ao desmatamento na Amazônia. Se essas divergências não forem solucionadas até 15 de julho de 2026, as tarifas de 25% serão aplicadas a vários produtos brasileiros, exceto para itens específicos como carnes, café e componentes aeronáuticos.
Críticas à comitiva bolsonarista
A atitude da comitiva bolsonarista em Washington provocou uma forte reação em território nacional. Na terça-feira (2), em Catalão (GO), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva qualificou os parlamentares como “vendilhões da pátria” por tentarem negociar assuntos internos fora do país.
A publicação de Trump serviu como gatilho para que tanto o Palácio do Planalto quanto movimentos sociais criticassem a postura subserviente adotada pelos opositores durante sua estadia nos Estados Unidos. Nas redes sociais, a reação foi rápida e o termo TariFlávio se destacou entre as menções.
O ataque americano ao sistema Pix despertou descontentamento até mesmo entre os representantes do setor financeiro. A Febraban defendeu essa tecnologia como uma infraestrutura pública benéfica para a concorrência e inclusão, rebatendo assim os esforços protecionistas dos EUA. Especialistas alertam que cerca de 21% das exportações brasileiras para os Estados Unidos estão sob ameaça devido às novas sanções, afetando principalmente o agronegócio — setor onde se encontram muitos apoiadores de Flávio Bolsonaro.
Diante da reação negativa à sua visita a Washington, Flávio Bolsonaro alegou ter discutido a questão com Donald Trump, J.D. Vance e Marco Rubio. No entanto, revelou anteriormente que seu encontro com Trump tinha outro objetivo: solicitar à nação estrangeira intervenção na Segurança Pública brasileira ao classificar facções criminosas nacionais como terroristas.
A carta enviada por Flávio pede ao governo Trump que não implemente novas tarifas; no entanto, teve efeito inverso e culminou no anúncio da nova taxação sobre produtos brasileiros em 12,5%, alegando que o Brasil falha em proibir e monitorar a importação de mercadorias produzidas com “trabalho forçado”.

