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Ataque americano a sistema de água no Irã gera acusações de crime de guerra

Recife CotidianoRecife Cotidianojunho 11, 2026 52 Minutes read0

Os ataques realizados pelos Estados Unidos contra o Irã na última quarta-feira (11) estão sendo investigados sob a alegação de crime de guerra. Uma análise publicada pelo New York Times revelou que bombas americanas atingiram reservatórios de água potável que serviam aproximadamente 20 mil habitantes no sul do Irã.

Esses bombardeios integram uma nova ofensiva determinada pelo governo de Donald Trump, direcionada a alvos iranianos após o colapso do cessar-fogo estabelecido em abril.

Recentemente, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) anunciou que atacou diversas instalações militares em várias partes do Irã, incluindo radares, sistemas de comunicação e posições de defesa aérea.

Como resposta a esses ataques, Teerã reiterou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o comércio global de petróleo, e lançou novos mísseis contra bases militares americanas no Golfo Pérsico.

A acusação surge poucos meses após um incidente que gerou condenações internacionais significativas. Em março, bombardeios americanos atingiram uma escola para meninas na cidade de Minab, no sul do Irã, resultando na morte de mais de cem pessoas, a maioria crianças e mulheres, conforme informações das autoridades locais.

Organizações voltadas aos direitos humanos e especialistas em direito internacional exigem uma investigação independente sobre este ataque, que afetou uma área civil e intensificou as acusações sobre violações das Convenções de Genebra durante a agressão militar promovida por Washington.

A investigação do New York Times indica que imagens de satélite e vídeos da mídia iraniana, além de fragmentos de armamentos encontrados no local, sugerem que duas estruturas de armazenamento de água na região de Bemani foram alvo de munições guiadas com precisão utilizadas pelas Forças Armadas dos EUA.

O CENTCOM confirmou ter realizado ataques com “munições de precisão” em alvos próximos ao Estreito de Ormuz.

A análise aponta que os reservatórios atingidos estavam isolados e não tinham instalações militares ou estratégicas nas proximidades, o que sugere um ataque deliberado e altamente preciso.

De acordo com o jornal, atacar intencionalmente infraestrutura civil é considerado crime de guerra sob o direito internacional humanitário. Essas instalações eram essenciais para abastecer cerca de 20 mil moradores em dez vilarejos da área.

O ataque ocorre em um contexto onde as temperaturas ultrapassam 38°C no sul do Irã, agravando ainda mais a situação da população local.

Esmaeil Baqaei, porta-voz do ministério das Relações Exteriores iraniano, qualificou a operação como “um crime de guerra calculado”, enfatizando que os Estados Unidos atingiram deliberadamente uma infraestrutura vital para os civis. “Essas instalações forneciam água potável para mais de 20 mil pessoas. Não se trata apenas de dano colateral; é uma violação clara dos direitos humanos e do direito internacional humanitário”, afirmou ele.

Ainda assim, autoridades locais relataram que equipes de emergência conseguiram restaurar o abastecimento em menos de 12 horas utilizando rotas alternativas e caminhões-pipa.

O governo iraniano declarou que os recentes bombardeios americanos tornaram o cessar-fogo estabelecido em abril “praticamente irrelevante”. O Ministério das Relações Exteriores responsabilizou Washington pelas repercussões da nova ofensiva e acusou os EUA por dificultarem os esforços diplomáticos em andamento.

Em resposta às ações americanas, Teerã lançou mísseis e drones contra instalações militares americanas localizadas no Bahrein, Jordânia e Kuwait, aumentando assim as tensões regionais e o risco da expansão do conflito.

Tags
Crimes de guerraDonald TrumpEUAFim do Cessar-fogoInternacionalIrã

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