Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República, expressou que o respaldo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) pode acabar gerando um efeito contrário, beneficiando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua campanha eleitoral.
Em suas declarações, Amorim mencionou a intensa interferência de Trump na competição eleitoral colombiana. Na Colômbia, o candidato de extrema direita, Abelardo de la Espriella, surgiu como líder nas votações iniciais realizadas pelo órgão eleitoral local. No entanto, os resultados ainda não são definitivos e estão sob verificação. O presidente atual, Gustavo Petro, já levantou questões sobre a legitimidade dos formulários eleitorais e o método de contagem de votos, enquanto a campanha de Iván Cepeda apresentou um total de 57 mil reclamações referentes ao processo eleitoral.
“No Brasil, isso pode causar um efeito oposto. As críticas e ataques [de Trump ao governo Lula] acabaram por impulsionar a popularidade do presidente Lula. Contudo, estamos mais preparados do que em outras ocasiões para lidar com possíveis ações ilegais — não necessariamente de Trump, mas talvez de grandes empresas de tecnologia”, afirmou Amorim.
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<pO ex-chanceler também comentou sobre a situação no Brasil em relação ao governo Jair Bolsonaro. Segundo ele, “aqui temos vacinas provenientes de administrações anteriores. O Brasil possui uma capacidade de resistência”, declarou.
A respeito da Colômbia, Amorim destacou que o Brasil adotará uma postura pragmática caso De la Espriella seja confirmado como novo presidente. Ele enfatizou que o país busca um relacionamento baseado em pragmatismo e não em ideologias.
Amorim reconheceu ainda a ascensão da direita nas Américas: “É inegável o movimento forte em direção à direita na região”, observou.
“Esse fenômeno também é visível na Europa com o crescimento da extrema direita. Trata-se de transformações sociais que ainda não foram plenamente compreendidas. Os sindicatos perderam influência. A questão da segurança pública e do crime organizado é bastante explorada de maneira demagógica, buscando soluções técnicas que atraem apoio. Além disso, as big techs têm eliminado discursos racionais em favor de mensagens carregadas de ódio”, concluiu Amorim.

