Nesta sexta-feira (10), o IBGE divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou uma significativa desaceleração em junho, alcançando 0,16%. Esse resultado representa uma queda acentuada em relação aos 0,58% registrados no mês anterior, superando as expectativas do mercado financeiro, que esperava uma taxa mínima de 0,26% para o período.
Em termos acumulados nos últimos 12 meses, a inflação oficial do Brasil recuou de 4,72% para 4,64%. O desempenho positivo do indicador foi bem recebido pelos investidores, resultando em uma valorização substancial do Ibovespa e na diminuição dos contratos de juros futuros e da cotação do dólar.
Queda nos preços de alimentos e redução nas tarifas de energia elétrica
A principal causa do alívio no custo de vida dos brasileiros foi o segmento de Alimentação e Bebidas, que apresentou uma queda de 0,24% em junho, revertendo a alta de 1,33% observada em maio. Essa deflação é a primeira desde novembro de 2025 e foi impulsionada pela redução nos preços de itens essenciais como café moído (-3,72%), frutas (-1,58%) e carnes (-0,64%).
Além disso, o grupo Habitação teve um papel importante nesse resultado. A variação nesse setor passou de 1,22% para 0,63%, influenciada pela desaceleração no aumento das tarifas de energia elétrica residenciais. As contas de luz tiveram uma variação que caiu de 3,67% para 1,53%, após a manutenção da bandeira tarifária amarela. O setor de transportes também se beneficiou com a queda generalizada nos preços dos combustíveis nas bombas, incluindo retrações no etanol (-3,09%), óleo diesel (-1,19%) e gasolina (-0,12%).
Medidas governamentais sustentam o mercado interno
Especialistas indicam que a mudança na trajetória dos preços dos produtos básicos é um reflexo das políticas estruturais implementadas pelo governo federal. As iniciativas voltadas para a desoneração das cadeias produtivas e o fortalecimento do abastecimento interno foram fundamentais para aliviar as pressões climáticas e proteger os consumidores.
Adicionalmente, a estratégia comercial adotada pelas estatais no setor energético ajudou a atenuar os efeitos da alta internacional do petróleo Brent — impactada pelo fechamento do Estreito de Hormuz devido ao conflito no Oriente Médio — permitindo que os combustíveis registrassem deflação e controlassem os custos logísticos internos.
Possibilidade real de novos cortes na Selic
A melhoria observada no IPCA referente a junho renovou as expectativas positivas sobre a política monetária nacional. Com o índice de difusão caindo de 65% para 54%, sinalizando que a elevação dos preços está menos disseminada entre os produtos, analistas reforçaram as apostas quanto à continuidade do ciclo de afrouxamento promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
Embora a inflação acumulada em um ano (4,64%) ainda esteja ligeiramente acima do teto da meta estabelecida (4,50%), essa desaceleração consistente abre caminho para um novo corte na taxa básica de juros (Selic), atualmente fixada em 14,25% ao ano. A expectativa por crédito mais acessível indica um cenário favorável para um crescimento econômico sustentável e um fortalecimento do poder aquisitivo na segunda metade do ano.

