A deputada federal Jandira Feghali, do PCdoB do Rio de Janeiro, comunicou nesta quarta-feira (22) sua intenção de processar o influenciador Paulo Figueiredo, conhecido por sua ligação com o bolsonarismo. O motivo é que ele chamou de “genial” a declaração de Jair Bolsonaro sobre a deputada Maria do Rosário, do PT do Rio Grande do Sul, que afirmou que ela “não merecia ser estuprada”. Além disso, Figueiredo minimizou as ameaças de violência sexual enfrentadas por Maria do Rosário e sugeriu que esses comentários fossem incluídos em uma seleção dos “melhores momentos” do ex-presidente. Essas declarações ocorreram durante uma transmissão ao vivo onde Figueiredo discutia táticas para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmando que Bolsonaro “dizia o que todos estavam pensando”.
No vídeo divulgado em suas redes sociais, Jandira explicou sua decisão de quebrar o silêncio habitual sobre declarações da extrema direita, argumentando que esse caso supera os limites da provocação política e promove a violência contra as mulheres.
“Em geral, não dou espaço para as barbaridades ou bobagens publicadas pela extrema direita. Contudo, neste caso sério, não posso permanecer calada.”
A deputada destacou que a retórica utilizada por Paulo Figueiredo ecoa o mesmo discurso agressivo empregado por Jair Bolsonaro contra Maria do Rosário ao usar a violência sexual como um ataque às mulheres em posições de poder.
“Esse indivíduo, próximo ao clã Bolsonaro e atualmente residindo nos Estados Unidos, replicou a lógica perversa utilizada por Jair Bolsonaro contra Maria do Rosário. Ele disse que ela não merecia ser estuprada e agora me inclui nesse contexto em um vídeo publicado há 24 horas.”
Para Jandira, as falas vão além da esfera política e configuram crimes previstos na legislação brasileira.
“Isso é crime, pois incita a violência sexual contra mulheres e promove agressões contra nós, parlamentares, além de caracterizar violência política de gênero. Esse problema não diz respeito apenas a nós; é uma questão que afeta todas as mulheres.”
A violência como palanque
As declarações que geraram essa reação foram feitas durante uma live onde Paulo Figueiredo comentava estratégias para fortalecer a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Ele comentou uma série de vídeos com Jair Bolsonaro e disse que o ex-presidente “falava o que todo mundo estava pensando”, mas ninguém tinha coragem de expressar.
Em seguida, ele descreveu como “genial” o comentário feito por Bolsonaro em 2014 sobre Maria do Rosário (que resultou na condenação do ex-presidente pelo Superior Tribunal de Justiça por danos morais) e fez um trocadilho pejorativo com relação à deputada.
Figueiredo também se referiu a um vídeo onde Jandira menciona ter recebido ameaças de estupro durante seu mandato. Ao recordar a atitude de Bolsonaro diante desse episódio, ele classificou a cena como “muito engraçada” e sugeriu que tanto esse vídeo quanto o caso envolvendo Maria do Rosário deveriam fazer parte dos “melhores momentos” do ex-presidente.
A reação aos avanços na proteção às mulheres
Jandira relacionou esses ataques à sua atuação no Congresso e aos avanços nas legislações voltadas para proteger as mulheres. Ela lembrou seu papel como relatora da Lei Maria da Penha na Câmara dos Deputados e mencionou a recente aprovação da Política Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio e a tipificação do crime de misoginia.
“Eu sei que isso incomoda porque fui relatora da Lei Maria da Penha. Recentemente aprovei um projeto para criar uma política nacional contra o feminicídio com 470 votos favoráveis e apenas 1 contrário, além da tipificação da misoginia como crime. Isso incomoda muito aqueles que pensam como estupradores.”
Na visão da parlamentar, os ataques direcionados às mulheres na política visam intimidar aquelas que lutam pelos direitos femininos e tentar barrar os avanços conquistados no combate à violência de gênero.
Outros episódios recentes
A postura da deputada surge em um contexto repleto de declarações polêmicas feitas por figuras ligadas ao bolsonarismo em relação às mulheres.
Recentemente, Flávio Bolsonaro desmereceu a Lei Maria da Penha chamando-a de “pedaço de papel”, enquanto Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, fez comentários misóginos ao dizer que “mulher arruma enguiço com 20”. Paulo Figueiredo também se pronunciou afirmando que mulheres “votam estatisticamente muito mal”, especialmente as solteiras.
Ao explicar sua decisão de tornar pública sua resposta às ofensas recebidas, Jandira destacou que permanecer calada significaria aceitar um discurso nocivo que encoraja a violência contra as mulheres e procura intimidar parlamentares.
“Jamais ficaremos quietas. Esse é meu dever como cidadã, mulher e parlamentar.”
No encerramento do vídeo, ela declarou que Paulo Figueiredo será responsabilizado judicialmente por suas palavras.
“Esse indivíduo será levado à justiça porque tomaremos todas as medidas necessárias para garantir que ele responda pelos crimes perpetrados por essa turma criada e fortalecida pelo bolsonarismo até hoje.”

