Nesta quarta-feira (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que não aceitará qualquer tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras. Ele também informou que o governo brasileiro negou a concessão de visto a dois funcionários que foram enviados pelos Estados Unidos.
As declarações ocorreram durante a convenção do PSB, onde foi oficializada a candidatura de Geraldo Alckmin ao cargo de vice-presidente. Durante o evento, Lula reagiu às palavras do presidente argentino Javier Milei, reafirmando seu compromisso com a soberania do país.
“Enquanto eu estiver na presidência, ninguém de fora vai se intrometer nas eleições brasileiras”, afirmou Lula. O presidente revelou que nesta semana os vistos foram negados para os dois jovens enviados pelos EUA com essa intenção.
Esse pronunciamento surge na sequência da renovação pelo governo de Donald Trump da declaração de emergência nacional contra o Brasil por mais um ano, e poucos dias após um artigo no The Washington Post informar que Washington planejava enviar representantes do Departamento de Estado para investigar a integridade e transparência das eleições no país.
Embora Lula não tenha mencionado diretamente Donald Trump ao tratar sobre os vistos, muitos interpretaram suas palavras como uma resposta às crescentes pressões dos Estados Unidos sobre o Brasil e aos frequentes comentários da Casa Branca em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Lula também se manifestou em resposta aos ataques feitos por Javier Milei, que no último sábado (25) participou da convenção nacional do PL em São Paulo para apoiar Flávio Bolsonaro em sua candidatura à presidência.
Na referida ocasião, Milei chamou Lula de “presidiário” e atacou novamente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Sem se referir diretamente ao presidente argentino, Lula comentou: “Vocês viram a confusão que fez aqui o presidente da Argentina. Eu não me manifestei porque minha relação é de chefe de Estado e eu aprecio muito o povo argentino; não vou ficar trocando ofensas com aquilo”, disse ele.
A fala de Lula reforça a postura do governo brasileiro desde a visita de Milei ao Brasil, que resultou na convocação do embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos e na decisão de chamar o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas.
Defesa da soberania
As afirmações feitas por Lula refletem um contexto mais amplo, no qual há um aumento das tentativas de interferência internacional nos processos políticos e eleitorais brasileiros, além da aproximação política entre Trump, Milei e os apoiadores de Bolsonaro.
Ao enfatizar a importância da soberania nacional e rejeitar intervenções externas, Lula reiterou que defender as instituições brasileiras é fundamental para preservar a democracia no país. Durante o evento, ele também elogiou Geraldo Alckmin, afirmando que a parceria entre eles representa uma garantia de estabilidade institucional. “Com Alckmin, não há risco de golpe”, disse ele, fazendo referência ao impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff em 2016.

