Na quarta-feira, 30 de agosto, um novo capítulo das dificuldades enfrentadas pelos países aliados dos Estados Unidos no Golfo foi escrito em meio à guerra de agressão imperialista e ao fechamento do Estreito de Ormuz.
A QatarEnergy, empresa estatal responsável pela produção e exportação de gás natural do Catar, decidiu adquirir 33 cargas de gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos. Essa medida visa garantir o fornecimento a clientes na Ásia após as interrupções nas exportações causadas pelo conflito entre Washington, Tel Aviv e o Irã.
O Catar é um dos principais fornecedores globais de GNL, e antes do início da guerra, aproximadamente 80% de suas exportações eram destinadas a mercados asiáticos, incluindo Japão, Coreia do Sul, Índia, Bangladesh e Taiwan.
Conforme informado pela QatarEnergy, a aquisição emergencial das cargas norte-americanas teve como intuito evitar a interrupção no abastecimento para clientes considerados estratégicos. A ação busca mitigar os efeitos da paralisação das exportações e proteger a imagem construída pelo Catar ao longo de anos como fornecedor confiável de energia.
A decisão da QatarEnergy se dá mesmo após a declaração de força maior, que libera temporariamente a empresa das obrigações contratuais devido a situações excepcionais.
Em vez de suspender completamente os embarques, a companhia optou por buscar alternativas no mercado internacional, visando reduzir os impactos sobre uma parte significativa de seus compradores.
Fontes do setor informaram que as 33 cargas foram adquiridas diretamente da produtora Venture Global LNG e também através de alguns clientes da própria QatarEnergy.
Desses carregamentos, 28 já foram entregues até agora. Os cinco restantes estão em direção à Coreia do Sul, Índia e Taiwan, conforme dados da empresa de análise Kpler.
A quantidade comprada representa cerca de um terço das exportações mensais da QatarEnergy antes do início da guerra e envolve uma operação avaliada em aproximadamente US$1 bilhão.
No ano anterior, a estatal havia realizado apenas quatro aquisições no mercado à vista, o que ressalta o impacto significativo que a interrupção das exportações pelo Estreito de Ormuz causou em um dos líderes mundiais na exportação de gás natural liquefeito.
De acordo com fontes consultadas, essa operação foi considerada um “gesto de boa-fé” para com clientes estratégicos.
A intenção era deixar claro que, mesmo com as dificuldades para utilizar sua principal rota de exportação, a empresa estava buscando maneiras de manter seu compromisso com os consumidores e preservar relacionamentos comerciais estabelecidos ao longo do tempo.
Aumento dos custos para aliados dos EUA
Esse episódio evidencia ainda mais que a agressão liderada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã gera custos crescentes para governos e empresas aliadas no Golfo.
Desde o fechamento do Estreito de Ormuz, as empresas da região têm encontrado obstáculos para escoar petróleo e gás, cumprir contratos internacionais e sustentar sua posição nos mercados globais de energia.
A necessidade de recorrer ao gás americano para atender compromissos comerciais ilustra claramente os impactos econômicos significativos resultantes desse conflito.
Antes dessa guerra, o Estreito de Ormuz era responsável por cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito comercializados globalmente.
Com o fechamento dessa via crucial e as negociações estagnadas sobre sua administração, o corredor permanece como um ponto crítico no conflito. Isso não afeta apenas o Irã e os Estados Unidos; também impacta parceiros americanos cuja economia depende fortemente da livre circulação desses recursos energéticos pelo Golfo.

