O inverno em Brasília possui características únicas. Sob a vasta e clara atmosfera do Planalto Central, ao entardecer, o céu se transforma em uma paleta de cores que varia entre dourados, alaranjados e violetas, enquanto a lua destaca as formas arquitetônicas criadas por Oscar Niemeyer. Sendo a capital política do Brasil e reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade, Brasília foi concebida para simbolizar um projeto voltado ao futuro. Por isso, foi neste ambiente que a Câmara dos Deputados organizou um evento especial para celebrar a amizade entre Brasil e China.
Não foram nem oceanos nem montanhas que conseguiram afastar essas duas nações. As relações diplomáticas entre Brasil e China foram formalmente estabelecidas em 15 de agosto de 1974; no entanto, as interações entre os povos datam de muito antes. Desde o início do século XIX, há registros de imigrantes chineses no Brasil, dando início a um convívio que, ao longo de mais de duzentos anos, tem sido fundamental para aproximar culturas e modos de vida. Essa longa história de intercâmbio humano precede a diplomacia atual e explica a forte parceria existente entre os dois países.
Ambas as nações são vastas e caracterizadas por uma diversidade geográfica, ambiental e cultural impressionante. Elas abrigam algumas das maiores biodiversidades do mundo e possuem economias relevantes no cenário global, além de sociedades ricas em pluralidade. Desde 2009, a China se destaca como o principal parceiro comercial do Brasil, consolidando uma relação estratégica que se expande continuamente. Esse intercâmbio econômico pavejou o caminho para colaborações significativas em áreas como ciência, tecnologia, inovação, educação, cultura e infraestrutura. Além disso, Brasil e China têm fortalecido sua união dentro dos BRICS e no Novo Banco de Desenvolvimento, liderado pela ex-presidenta Dilma Rousseff, reafirmando o protagonismo do Sul Global na busca por uma ordem internacional mais justa.
<pNesse cenário propício, no dia 3 de agosto, a Câmara dos Deputados promoveu um evento especial em homenagem ao Ano Cultural Brasil–China 2026, à celebração do Dia Nacional da Imigração Chinesa no Brasil e aos 52 anos das relações diplomáticas bilaterais.
A programação teve início no Hall da Taquigrafia do Anexo II com a abertura da exposição “Brasil–China: Construindo um Futuro Compartilhado” e o lançamento da edição brasileira do livro “A Perspectiva Ecológica da Modernização Chinesa”. O evento foi promovido pelo Grupo Parlamentar Brasil–China da Câmara dos Deputados, pela Frente Parlamentar Brasil–China do Congresso Nacional, pela Agência de Notícias Xinhua, pelo Centro de Estudos Avançados Brasil–China (CEBRACH), pelo Instituto Confúcio na Universidade de Brasília e pela Fundação Maurício Grabois. O encontro contou com a participação de parlamentares, diplomatas, pesquisadores acadêmicos, empresários e membros da comunidade chinesa residente no Brasil.
O livro é escrito por Zhang Yongsheng e faz parte da coleção As Seis Perspectivas da Modernização Chinesa. Essa iniciativa visa apresentar diferentes aspectos da experiência contemporânea da China ao público brasileiro.
Na apresentação do livro, Ricardo Alemão Abreu — representando tanto a Fundação Maurício Grabois quanto o CEBRACH — destacou que a edição brasileira vai além do simples valor literário: “é um acontecimento político e teórico com relevância universal”. Ele enfatizou que a obra traz à tona um dos principais desafios do século XXI: desenvolver um novo modelo de progresso que promova uma convivência harmoniosa entre humanidade e natureza.
Ao mencionar uma citação do presidente Xi Jinping sobre “águas cristalinas e montanhas verdes valendo tanto quanto montanhas de ouro”, Abreu argumentou que essa perspectiva indica que “a civilização ecológica deixou de ser apenas um sonho distante para se tornar um projeto concreto”, sustentado por planejamento adequado e políticas públicas eficazes. Ele acrescentou que “a transição para uma civilização ecológica pode ser concebida como um projeto histórico viável” através da implementação consistente dessas políticas.
A exposição “Brasil–China: Construindo um Futuro Compartilhado”, elaborada com imagens da Agência Xinhua, apresenta mais de trinta fotografias capturadas entre 1978 e 2026 que ilustram momentos significativos na amizade e cooperação entre os dois países. As imagens abrangem quase cinquenta anos de relações bilaterais destacando encontros entre líderes nacionais, avanços tecnológicos conjuntos nos satélites sino-brasileiros, intercâmbios culturais e investimentos em infraestrutura.
No ato inaugural da exposição, Zhao Yan — diretora interina do escritório da Agência Xinhua no Rio de Janeiro — lembrou que “há mais de 200 anos já existia imigração chinesa no Brasil”. Ela ressaltou ainda que desde o início das relações diplomáticas em 1974 “os dois países superaram distâncias geográficas”, elevando gradativamente suas interações.
Representando o Instituto Confúcio em Brasília, o professor Enrique Huelva Unternbäumen comentou que “o futuro do século XXI está intimamente ligado à relação entre Brasil e China”. Ele destacou que nenhuma parceria sólida pode ser construída sem um entendimento mútuo profundo entre as sociedades envolvidas.
A secretária de Relações Internacionais do PCdoB e assessora do Grupo Parlamentar Brasil-China Ana Prestes afirmou que “todos os anos em agosto percebemos o aprofundamento das relações” através dos eventos conjuntos realizados no Congresso Nacional. Espera-se que o Ano Cultural Brasil–China 2026 amplie ainda mais esse intercâmbio cultural.
Após a cerimônia oficial, autoridades brasileiras e chinesas se reuniram diante da exposição para uma fotografia coletiva antes de seguir para o Plenário Ulysses Guimarães para participar da Sessão Solene em homenagem ao Ano Cultural Brasil–China 2026 e ao Dia Nacional da Imigração Chinesa no país.
O plenário foi agraciado com apresentações artísticas incluindo performances da Orquestra Tradicional Chinesa de Xangai juntamente com um sanfoneiro nordestino.
A Sessão Solene foi proposta pelo deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA), presidente do Grupo Parlamentar Brasil-China; bem como pelo deputado federal Fausto Pinato (União Brasil-SP), líder da Frente Parlamentar Brasil-China. A solenidade reuniu representantes dos Poderes Executivo e Legislativo brasileiros além dos integrantes das comunidades científica e empresarial brasileiras e chinesas mostrando assim a importância estratégica dessa relação bilateral.
Ao abrir os trabalhos na sessão solene, Daniel Almeida assinalou que o Parlamento estava prestando homenagem a uma relação construída ao longo mais de duzentos anos que hoje é considerada uma das parcerias estratégicas mais relevantes para o país.
“Hoje esta Câmara reconhece uma relação que vai além das trocas comerciais ou acordos políticos; celebramos uma amizade forjada por meio do respeito mútuo”, declarou Almeida.
Ele também enfatizou que as próximas etapas dessa colaboração devem focar na inovação tecnológica.
Além disso, Almeida defendeu que o desenvolvimento deve ter foco nas pessoas favorecendo assim uma maior cooperação societal.
Ao concluir sua fala ele reiterou o compromisso do Parlamento brasileiro em aprofundar as relações bilaterais existentes.
Zhu Qingqiao — embaixador da República Popular da China no Brasil — afirmou que as relações bilaterais estão vivendo um momento ímpar destacando os sólidos fundamentos construídos sobre respeito mútuo confiança mútua.
O diplomata observou ainda: “nossa relação está vivendo seu melhor período na história”, resultado direto dos aprendizados mútuos ao longo das civilizações envolvidas bem como pela aproximação contínua entre os dois povos.
Zhu também ressaltou a nova fase iniciada pelos presidentes Xi Jinping e Luiz Inácio Lula da Silva destacando esforços conjuntos para formar “uma comunidade sino-brasileira voltada para um futuro compartilhado” pautada na justiça social ambiental sustentável
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O embaixador sublinhou ainda o papel vital desempenhado por ambos os países na construção de uma ordem internacional equilibrada: “Tanto China quanto Brasil estão firmemente comprometidos com práticas multilaterais colaborativas”.
Olival Freire Júnior — presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) — ressaltou que essa aproximação vai além das mudanças governamentais sendo resultado estratégico das decisões tomadas pelo Estado brasileiro.
Fechando a Sessão Solene Fausto Pinato pediu pelo fortalecimento contínuo dessa parceria apontando diálogos construtivos entre os dois países como fundamentais para promover equilíbrio nas dinâmicas internacionais atuais.
Ao iniciar seu discurso Pinato agradeceu Daniel Almeida pela colaboração mútua nesse evento destacando também esforços realizados pelo embaixador Zhu Qingqiao juntamente com instituições dedicadas à promoção dessa cooperação bilateral.
“O momento demanda ousadia para fomentar diálogos eficazes enquanto combatemos desinformações nas relações internacionais,” completou Pinato enfatizando seu desejo por parlamentares corajosos capazes de fazer mudanças significativas nesse âmbito global atual marcado por desavenças.”
No tocante à relevância internacional da China Pinato defendeu ações voltadas ao fortalecimento dos BRICS visando estabelecer sistemas globais mais equitativos frisando: “É hora dos BRICS agirem pela estabilidade mundial.” Para ele hoje a China representa fator essencial nessa estabilidade demonstrando como planejamento científico eficiente pode transformar realidades nacionais profundamente.”
Pino também alertou sobre necessidade urgente para avanço industrial brasileiro bem como aumento na capacidade tecnológica nacional visando desenvolvimento econômico sólido.”
“Nos períodos críticos enfrentados nas nossas relações durante 2020/2021 conseguimos superar dificuldades graças à nossa diplomacia coesa; sou grato publicamente ao presidente Xi Jinping por enxergar além ideologias partidárias focando nas necessidades reais do povo brasileiro”, finalizou Pinato lembrando seu papel ativo na criação do Dia Nacional da Imigração Chinesa elogiando contribuição cultural significativa dessa comunidade formadora parte integral sociedade brasileira.”
Dessa maneira unindo fotografia literatura música pensamento diplomático Ano Cultural Brasil–China 2026 reafirmou premissa fundamental: laços entre países não se limitam apenas tratados acordos econômicos ou interesses mercadológicos; florescem especialmente através memórias compartilhadas reconhecimento riqueza diferenças culturais proporcionando espaços comuns diálogo permanente.”

