Joe Kent, diretor do National Counterterrorism Center (NCTC), renunciou ao cargo nesta terça-feira (17), discordando da guerra contra o Irã iniciada por EUA e Israel. Segundo ele, o Irã “não representava ameaça iminente à nação americana”. O ex-integrante das Forças Especiais norte-americanas publicou nas redes sociais trecho da carta de demissão: “Após muita reflexão, decidi renunciar ao cargo de Diretor do NCTC, com efeito imediato. Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã”
O oficial formalizou a saída em caráter imediato, manifestando discordância direta em relação à ofensiva militar contra o Irã conduzida pela gestão de Donald Trump em parceria com Israel. Kent que era considerado um aliado de longa data do presidente, expôs fissuras na doutrina de política externa da atual administração. O agora ex-diretor atribui o conflito à pressão exercida por Israel e pelo lobby israelense dentro dos Estados Unidos, argumentando que tal postura contradiz os princípios de priorização dos interesses nacionais defendidos anteriormente pelo governo.
No documento, amplamente reproduzido pela imprensa internacional, Kent evocou sua experiência militar e perdas familiares em conflitos no Oriente Médio para justificar que “não endossava o envio de uma nova geração de soldados para uma guerra que não traz benefícios reais ao povo norte-americano”. Esta é a primeira baixa de alto escalão desde o lançamento da Operação Epic Fury, iniciado em 28 de fevereiro de 2026.
Reação institucional e embates no Salão Oval
A resposta da Casa Branca foi imediata e marcada pelo tom de confronto característico do presidente Donald Trump. Durante pronunciamento a jornalistas no Salão Oval, o mandatário desqualificou a postura de seu ex-subordinado, classificando-o como fraco em temas de segurança nacional e reiterando que não deseja na equipe indivíduos que não reconheçam o Irã como uma ameaça.
Paralelamente, a Diretoria de Inteligência Nacional, sob o comando de Tulsi Gabbard, manteve silêncio oficial sobre o episódio, embora, de acordo com a imprensa norte-americana, fontes internas indiquem que já existiam movimentações prévias para a destituição de Kent antes da iniciativa de renúncia. O diretor havia sido confirmado pelo Senado em julho de 2025 após uma votação apertada, marcada por resistências políticas internas.
Desdobramentos políticos e riscos de segurança
O impacto da saída de Joe Kent repercute no Congresso norte-americano e no cenário geopolítico global, com a oposição democrata utilizando as declarações do ex-diretor para questionar a legitimidade das ações militares. O senador democrata Mark Warner, da Virgínia, destacou que as preocupações levantadas por Kent são justificadas e lançam luz sobre a condução das análises de risco terrorista.
A renúncia ocorre em um momento de alerta elevado para as agências de segurança dos Estados Unidos, enquanto veículos de comunicação internacionais apontam que o questionamento sobre a inexistência de uma ameaça iminente pode servir de base para desafios legais à condução da guerra sem o aval explícito do Legislativo. O episódio isola técnica e politicamente a narrativa da Casa Branca ao perder o responsável pela principal agência de análise de ameaças aos EUA.
O post Diretor da agência antiterrorista dos EUA renuncia em protesto contra guerra apareceu primeiro em Vermelho.
