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Colômbia enfrenta desafio eleitoral na busca pela continuidade do legado de Petro

Recife CotidianoRecife Cotidianomaio 28, 2026 684 Minutes read0

A eleição presidencial na Colômbia, que ocorrerá no próximo domingo (31), representa um momento crucial para o projeto político iniciado por Gustavo Petro em 2022, marcando a primeira vez que a esquerda chegou ao poder no país andino.

Este pleito é considerado estratégico também no contexto geopolítico da região, especialmente diante das pressões exercidas pelos Estados Unidos para conter governos latino-americanos que se opõem à interferência imperialista de Washington.

Na corrida eleitoral, o senador Iván Cepeda, do Pacto Histórico, desponta como o principal candidato governista. Ele lidera as pesquisas e busca garantir a continuidade do ciclo progressista em meio à reorganização da direita uribista e ao crescimento de candidaturas extremistas.

As recentes pesquisas indicam que Cepeda possui cerca de 44% das intenções de voto, aproximando-se da possibilidade de uma vitória já no primeiro turno, embora isso dependa de alcançar mais de 50% dos votos válidos.

A competição acontece em um clima de intensa polarização política, com uma notável presença do ex-presidente Álvaro Uribe, figura proeminente da extrema direita colombiana, nos debates eleitorais.

Iván Cepeda: Continuidade do projeto de Petro

Considerado o favorito na contenda eleitoral, Iván Cepeda é um defensor histórico dos direitos humanos e um crítico contundente do uribismo. Sua campanha está centrada na ideia de dar seguimento às reformas iniciadas por Gustavo Petro.

A proposta central de sua candidatura é a defesa dos programas sociais, a reforma agrária, a ampliação dos direitos trabalhistas e a luta contra a pobreza. O discurso eleitoral busca vincular os avanços econômicos recentes ao projeto do Pacto Histórico.

Informações do Departamento Administrativo Nacional de Estatística (DANE), frequentemente citadas pela campanha, revelam uma queda significativa nos índices de pobreza nos últimos anos.

Os dados oficiais mostram que a porcentagem de colombianos considerados pobres caiu de 50,6% em 2022 para 37,6% em 2025, enquanto a pobreza multidimensional atingiu níveis historicamente baixos.

A candidatura de Cepeda também procura expandir seu apoio além da esquerda tradicional.

Ele lançou uma “Aliança pela Vida”, unindo setores progressistas, liberais e reformistas. Sua vice é Aída Quilcué, uma liderança indígena que simboliza o esforço de aproximação com movimentos sociais e comunidades historicamente marginalizadas na política colombiana.

Um aspecto relevante para o fortalecimento da candidatura governista foi a unificação parcial do campo progressista.

O ex-governador Carlos Caicedo retirou sua candidatura em favor de Cepeda, um movimento que também foi seguido por Clara López e Luis Gilberto Murillo anteriormente.

A direita está dividida enquanto a extrema direita avança

A oposição ao governo Petro chega à eleição fragmentada. Paloma Valencia, do partido uribista Centro Democrático, é o principal nome entre os conservadores tradicionais.

Ela tenta reconquistar o eleitorado historicamente associado a Álvaro Uribe, mas enfrenta desafios para unir novamente a direita.

Certa parcela do eleitorado conservador optou por apoiar Abelardo de la Espriella, um advogado ultradireitista com um discurso mais radicalizado que foca em segurança e se opõe ideologicamente ao Pacto Histórico e à esquerda.

A divisão entre Valencia e De la Espriella diminuiu as chances do campo conservador estabelecer uma candidatura única competitiva contra o Pacto Histórico. Especialistas afirmam que essa situação favorece Cepeda ao dificultar a formação de uma frente unificada anti-Petro.

No entanto, a extrema direita ainda exerce forte influência em regiões tradicionalmente conservadoras, especialmente em Antioquia, bastião político de Uribe.

A campanha governista denuncia um aumento nas ameaças e episódios violentos direcionados aos militantes do Pacto Histórico nessas localidades.

Debate eleitoral reflete transformações políticas na Colômbia

A disputa eleitoral deste ano também revela mudanças profundas na sociedade colombiana.

Por décadas, partidos conservadores e liberais tradicionais dominaram o cenário político nacional em um contexto marcado pelo conflito armado interno e pelo enfoque na segurança pública.

A vitória de Petro em 2022 representou uma ruptura significativa desse padrão. O atual ciclo eleitoral sugere que parte considerável do eleitorado agora avalia temas relacionados à desigualdade social, emprego e custo de vida com maior atenção.

Analistas associados ao governo afirmam que houve uma “mudança na percepção coletiva”, impulsionada tanto pelos programas sociais quanto pela ampliação das discussões políticas nas redes sociais e meios alternativos de comunicação.

Enquanto isso, setores conservadores permanecem mobilizados contra Petro, acusando seu governo de intensificar polarizações e aproximar o país de modelos políticos rejeitados pela direita latino-americana.

Tensão política traz foco à segurança e desinformação

Diante das tensões políticas atuais, o governo colombiano ativou o chamado “Plano Democracia”, mobilizando aproximadamente 228 mil militares e policiais para assegurar a segurança durante as eleições.

As autoridades destacam que os principais riscos incluem ataques contra candidatos, violência eleitoral e campanhas de desinformação nas redes sociais. O ministério da Defesa classificou manipulação digital e notícias falsas como perigos significativos para o processo eleitoral.

Cerca de 40 milhões de colombianos têm direito ao voto. Caso nenhum candidato atinja a maioria absoluta no primeiro turno, um segundo turno será realizado no dia 21 de junho.

Independentemente do resultado final, esta eleição já é considerada uma das mais relevantes da história recente da Colômbia por avaliar se o ciclo inaugural do governo esquerdista conseguirá se consolidar ou se haverá um retorno das forças conservadoras ao poder.

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