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Ex-ministra colombiana celebra acordo de paz e progresso social como uma grande vitória

Recife CotidianoRecife Cotidianomaio 28, 2026 586 Minutes read0

A ex-ministra do Trabalho da Colômbia, Gloria Inés Ramírez Río, destacou que “as reformas sociais e a construção da paz representam nossa maior conquista, pois promovem a dignidade do trabalho e valorizam a economia popular, solidária e comunitária, priorizando os interesses coletivos em vez da avareza do capital”. Sua declaração ocorreu durante a 8ª Missão Internacional de Verificação da Implementação da Perspectiva de Gênero no Acordo de Paz.

No evento realizado nesta segunda-feira (25) no auditório do Centro Cultural Gabriel Garcia Marquez, em Bogotá, Gloria Inés, que é líder comunista e já ocupou cargos como senadora e presidente da Federação Colombiana de Educadores (Fecode), enfatizou a importância do enfoque de gênero na avaliação do Acordo de Paz firmado em novembro de 2016 entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Segundo a Comissão da Verdade, o conflito armado deixou um saldo trágico de mais de 450 mil mortes ao longo de mais de cinquenta anos.

<p“A violência teve um impacto desigual sobre as mulheres”, observou Gloria Inés. “Muitas delas se tornaram mães viúvas ou órfãs. Nesse contexto, é crucial que recebam apoio estatal e alternativas para seguir adiante, sem depender da caridade ou viver na pobreza extrema”, acrescentou.

A missão internacional é coordenada pela Federação Democrática Internacional de Mulheres (Fdim), em parceria com ONU Mulheres — que trabalha pela igualdade de gênero e empoderamento feminino — e o governo sueco. O objetivo é monitorar o histórico Acordo de Paz.

Gloria Inés explicou que a missão será dividida em três etapas: “Primeiro, teremos uma reflexão sobre economia popular, gênero e paz com um foco especial nas mulheres; em seguida, visitaremos as áreas afetadas, começando pela região de Sumapaz – situada na zona rural próxima a Bogotá – onde observaremos as reservas naturais e seu impacto na transformação das vidas das mulheres; por último, ouviremos as instituições criadas pelo Acordo de Paz relacionadas ao acompanhamento e monitoramento”. Ao final desse processo, serão elaborados um relatório com recomendações para aprimorar as medidas existentes.

A visita à Sumapaz é considerada profundamente significativa por diversas lideranças femininas devido às décadas de conflitos agrários e sociopolíticos que marcaram essa região estratégica. Sumapaz abriga o maior páramo do mundo — um ecossistema montanhoso essencial para a biodiversidade — que atua como uma “esponja viva”, regulando o fluxo hídrico para o centro do país.

“O trabalho não deve ser sinônimo de exploração, assim como a velhice não deve significar abandono”

Em seus discursos recentes, Gloria Inés tem enfatizado a importância dos avanços sociais conquistados através das “reformas trabalhista, previdenciária e agrária” implementadas pelo presidente Gustavo Petro desde 2022. Essas mudanças visam garantir segurança e confiança no voto em Iván Cepeda e Aida Quilcué nas próximas eleições marcadas para domingo (31), com o objetivo de aprofundar as transformações necessárias no segundo mandato progressista.

Ela mencionou que iniciativas como a reforma previdenciária (Lei 2381 de 2024) criaram um sistema mais inclusivo para aumentar a cobertura social, fortalecer aposentadorias e assegurar uma renda digna para milhões de idosos que dedicaram suas vidas ao trabalho sem nunca se aposentar. “Esta é a essência dessas reformas: garantir que o trabalho seja digno e que os idosos tenham uma velhice respeitável”, sublinhou.

Do ponto de vista feminino, Gloria defendeu a criação de um sistema nacional de assistência social como condição fundamental para alcançar igualdade no mercado laboral. “As mulheres não podem continuar suportando sozinhas o peso do trabalho não remunerado que sustenta nossa economia”, ressaltou ela, referindo-se ao fato esse tipo de trabalho contribui com 20% do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo Gloria Inés, o governo do Pacto Histórico trouxe mudanças significativas ao colocar o trabalho no eixo central da democracia. “Por muitos anos nos disseram que era necessário precarizar o trabalho para gerar empregos: reduzir direitos trabalhistas e enfraquecer sindicatos. Provamos que o desenvolvimento não pode ser construído sobre essa base”, afirmou.

“A Lei 2466 de 2025 fortaleceu os direitos trabalhistas ao aumentar a segurança no emprego, ampliar proteções contra terceirizações abusivas e reconhecer direitos dos aprendizes no Serviço Nacional de Emprego. Avançou também nas garantias para trabalhadores digitais e restabeleceu gradualmente os pagamentos referentes ao turno noturno e aos domingos”, detalhou.

“É preciso avançar nas negociações coletivas e na política voltada para mulheres e jovens”

A líder comunista argumentou que um segundo governo progressista deve implementar uma política abrangente contra o emprego informal, dada a realidade alarmante em que mais da metade da população economicamente ativa está nesse setor. “Devemos nos concentrar em cinco frentes principais: promover formalização genuína tanto nas zonas urbanas quanto rurais; realizar inspeções trabalhistas eficazes; garantir proteção adequada aos trabalhadores domésticos; assegurar liberdade sindical com negociação coletiva; além de estabelecer políticas especiais voltadas para mulheres e jovens”, declarou.

A reforma trabalhista conseguiu restaurar direitos fundamentais que incomodaram fortemente grupos conservadores e neoliberais no país, desafiando candidaturas como as do bilionário Abelardo De La Espriella e Paloma Valencia, associada ao ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010).

A mídia hegemônica age sob interesses distorcidos

<pDiante disso tudo, reproduzindo os interesses dos grandes conglomerados financeiros e latifundiários, a mídia hegemônica tem atuado fervorosamente nesta fase final da campanha eleitoral com informações distorcidas sobre Iván Cepeda e Aida Quilcué. Ambos são reconhecidos defensores dos direitos humanos cujos familiares foram vitimados por grupos paramilitares e pelo Exército colombiano. Apesar disso, continuam sendo pilares inabaláveis no suporte ao Acordo de Paz.

A polarização extrema tem levado alguns indivíduos à perda total do senso crítico; houve até casos onde foram defendidos abertamente atos violentos contra opositores políticos. Um taxista que me levou até o evento expressou indignação alegando que “a paz só pode ser construída sobre cadáveres”. Ele manifestou sua crença de que uma nova vitória das forças progressistas exigiria ações drásticas.

Ele também negou informações bem documentadas pela Jurisdição Especial para a Paz sobre os 7.827 casos comprovados de execuções extrajudiciais perpetradas pelas Forças Armadas – conhecidas como falsos positivos – muitas vezes envolvendo desempregados recrutados nas periferias para trabalhar temporariamente nas colheitas agrícolas antes serem assassinados sob acusações infundadas. O alto comando militar admitiu ter recompensado essas tropas pelos atos violentos realizados sob aplausos internacionais.

Entretanto, como ensinou Gabriel García Márquez: “Diante da opressão, pilhagem ou abandono, nossa resposta deve ser vida”. Ele lembrou que nem mesmo desastres naturais ou guerras intermináveis conseguiram apagar a força vital presente na luta pela justiça.

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A produção desta cobertura foi viabilizada pelo apoio do Sindicato dos Bancários de São Paulo; Sindicato dos Escritores do Estado; jornal Hora do Povo; Vermelho; Diálogos do Sul Global; Correio da Cidadania; Barão de Itararé; vereador Werner Tempel (PCdoB) em Santa Maria-RS; Professor Azuaite em São Carlos-SP; Instituto Angelim

O conteúdo intitulado “Acordo de Paz traz avanços sociais”, afirma ex-ministra colombiana foi publicado anteriormente aqui.

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Acordo de Paz ColômbiaDireitos trabalhistasGloria Inés Ramírezgoverno Petro ColômbiaGustavo PetroInternacionalreforma trabalhista Colômbia

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