Com a proximidade do segundo turno das eleições, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) voltou a exibir um comportamento menos moderado. Uma reportagem divulgada nesta terça-feira (21) destacou que aliados do senador já elaboraram um conjunto de mais de 200 decretos prontos para serem assinados no primeiro dia de um possível mandato.
A principal meta é implementar mudanças drásticas na legislação trabalhista, na proteção ambiental e na participação da sociedade.
Nos bastidores, a estratégia inclui um “revogaço” das medidas adotadas durante o governo Lula e um “decretaço” focado em anular as recentes vitórias da classe trabalhadora, com especial atenção à regulamentação que extinguiu a jornada 6×1.
Esse conjunto de normas foi elaborado em segredo, sem qualquer transparência ou comunicação oficial por parte da assessoria do candidato, mantendo-se sob sigilo total até agora.
Pacote de desmantelamento: trabalho, meio ambiente e privatizações
Conforme informações de interlocutores do senador, os planos para o dia 1º de janeiro configuram uma verdadeira ofensiva contra direitos conquistados:
- Erosão dos direitos trabalhistas: O projeto prevê o uso da regulamentação do Executivo para enfraquecer a recém-aprovada Emenda Constitucional 141/2026. A proposta visa reintroduzir a lógica da “negociação individual”, isolando os trabalhadores diante dos empregadores e debilitando o papel dos sindicatos.
- <strongAtaque à fiscalização ambiental: Os decretos projetam restringir a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental em áreas rurais e propriedades privadas não classificadas como zonas de proteção. Isso funcionaria como um salvo-conduto para práticas de desmatamento e impunidade nas áreas rurais.
- Supressão da participação popular: As modificações administrativas previstas planejam eliminar conselhos, comitês e grupos de trabalho vinculados à administração federal. Sob o pretexto de “reduzir a máquina”, essa iniciativa visa silenciar a sociedade civil organizada e suprimir mecanismos fundamentais da democracia participativa.
- Privatizações em pauta: Nos três primeiros meses de governo, está previsto o envio ao Congresso Nacional de um pacote destinado à privatização de empresas públicas e estatais consideradas essenciais para o progresso nacional.
Desvio eleitoral em andamento
A revelação sobre esses decretos sigilosos expõe a hipocrisia do discurso do candidato nesse momento decisivo da campanha. Flávio Bolsonaro, que anteriormente criticou abertamente a proposta que extinguiu a jornada 6×1, rotulando-a como “oportunista”, agora ajustou sua retórica devido ao amplo apoio popular à medida. Recentemente, afirmou em entrevistas que “todos os direitos trabalhistas estão garantidos” e que respeitaria as decisões legislativas.
No entanto, as informações obtidas mostram que ele age em desacordo com seu discurso público, arquitetando um “revogaço” para enfraquecer esses direitos através de decretos executivos logo após uma eventual posse.
A ameaça às conquistas da jornada 6×1
A tentativa de contornar a emenda constitucional que acabou com a extenuante jornada 6 X 1 por meio de normas infralegais logo no início do governo atinge diretamente essa conquista histórica. Além disso, busca-se aprovar a PEC proposta por Rogério Marinho, coordenador da campanha, que introduz o conceito de pagamento apenas pelas horas trabalhadas, sem remuneração por descanso, retornando os trabalhadores à vulnerabilidade frente aos patrões.
Atenção redobrada para o segundo turno
A ausência de clareza e o silêncio da candidatura após o vazamento desse pacote não diminuem a seriedade da situação; ao contrário, aumentam o estado de alerta entre as forças populares e democráticas. A falta deliberada de divulgação sobre textos que impactam diretamente a vida cotidiana dos cidadãos impede que os eleitores compreendam plenamente a verdadeira agenda do candidato, cujas propostas nunca beneficiarão os trabalhadores.

