O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, explica que a elevada taxa de juros do Brasil, fixada em 14,5%, é resultado do cenário de baixo desemprego e uma economia em expansão. Assim, paradoxalmente, a sociedade e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva são impactados negativamente por um desempenho positivo nos indicadores econômicos.
Durante sua participação em uma audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta terça-feira (19), ele reconheceu que “as taxas de juros estão em patamares bastante restritivos, especialmente quando comparadas a outros países. Contudo, presenciamos uma economia resiliente, com baixos índices de desemprego e um aumento na renda que supera tanto a inflação quanto a produtividade, além de pressões inflacionárias significativas, mesmo com os juros elevados”.
Galípolo também destacou que entre os anos de 2020 e 2025, a meta de inflação foi cumprida apenas em dois anos. Nos períodos restantes, o Banco Central teve que enviar cartas abertas ao Ministério da Fazenda para justificar o não cumprimento das metas estabelecidas.
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A visão apresentada pelo presidente do BC contrasta com a perspectiva daqueles que acreditam que o foco da economia deveria ser o bem-estar social e o pleno emprego.
Dessa forma, a implementação de altas taxas de juros para esfriar a economia prioriza o rentismo em detrimento da produção nacional.
O baixo índice de desemprego deveria ser interpretado como uma oportunidade para aumentar a produtividade, ao invés de ser visto como uma ameaça iminente à inflação.
A crítica a essa abordagem sustenta que as taxas elevadas não contribuem para reduzir os preços dos alimentos; ao contrário, encarecem o custo financeiro das empresas, que acabam transferindo esses custos para os preços finais, criando um ciclo vicioso.
Contradição
O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), aponta que a economia brasileira apresenta uma contradição ao crescer com altas taxas de juros e inflação acima do desejado por diversos fatores.
“Primeiramente, existe uma extensa rede de proteção social no Brasil. Em segundo lugar, muitos brasileiros se financiam sem depender da taxa Selic. Um exemplo disso é o programa Minha Casa, Minha Vida, que atualmente representa 90% do mercado da construção civil e não opera com base na taxa Selic”, comentou.
Por isso, Braga solicita um equilíbrio entre as questões fiscal e monetária para ajustar as políticas sociais e as “políticas de financiamento colateral presentes na economia brasileira”.
“É assim que a economia brasileira sobrevive; não há mágica nesse contexto. Essa dinâmica resulta em um déficit fiscal que alimenta uma taxa de juros exorbitante. Precisaremos decidir isso nas urnas, pois nosso país vive em democracia e isso deve ser uma decisão democrática”, conclui.

