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Lula afirma que a prosperidade econômica depende do poder aquisitivo da população em entrevista à Globo

Recife CotidianoRecife Cotidianooutubro 22, 2026 84 Minutes read0

Durante a sabatina da TV Globo realizada na última quinta-feira, dia 15, o presidente Lula (PT) enfatizou que uma das suas principais prioridades é garantir a responsabilidade econômica no Brasil.

O presidente também sublinhou a importância de investir nas famílias brasileiras, mencionando a previsão de superávit primário para 2027, medidas direcionadas a micro, pequenos e médios empresários, além de programas destinados a combater o endividamento da população. Ele afirmou ainda que o Brasil retornará ao grupo das oito maiores economias do planeta.

Compromisso com a dívida pública e bem-estar da população

Ao longo da entrevista, Lula demonstrou estar ciente do aumento da dívida pública e da importância de manter o controle sobre o orçamento nacional. Contudo, ressaltou que é vital continuar promovendo crescimento econômico e evitar cortes que possam prejudicar o consumo das famílias e o desenvolvimento das empresas.

Neste contexto, ele expressou sua confiança nos micro e pequenos empresários do país, para os quais implementou diversas iniciativas através do programa Prospera MEI, reconhecendo que esses empreendedores são fundamentais para a economia nacional.

“Minha visão econômica é clara: muito dinheiro nas mãos de poucos gera pobreza, enquanto um montante mais modesto distribuído entre muitos resulta em riqueza. Por isso, invisto na microeconomia e no microcrédito, apoiando fortemente os pequenos empreendedores. Estamos promovendo a maior política de crédito já vista no Brasil, permitindo que as pessoas acessem valores como dois ou mil reais para impulsionar seus negócios”, declarou.

Leia mais: Economia avança com Lula e Índice de Confiança do Consumidor sobe 25,9 pontos em um mês

Lula argumentou que a chave para o crescimento econômico reside na microeconomia: “É essencial que o dinheiro circule entre as pessoas. Quando ele se concentra nas mãos de poucos, a pobreza persiste. Cheguei a erradicar a fome em 2014, mas ao retornar vi 33 milhões de brasileiros passando por dificuldades novamente. Por isso, levo muito a sério as questões relacionadas à dívida pública e não quero vê-la crescer”, ponderou.

Para reafirmar seu comprometimento com uma gestão econômica responsável e atenta ao crescimento da dívida pública sem descuidar das famílias, ele indicou que o compromisso fiscal é constante, assim como os investimentos em infraestrutura e melhorias nas condições de vida da população.

“É importante lembrar que se você contrai uma dívida para financiar ativos produtivos como ferrovias ou hidrelétricas, essa dívida pode ser benéfica para o país”, explicou.

Superávit primário e reajuste do Bolsa Família

No tocante ao aumento do Bolsa Família, Lula comentou que essa medida corrige um erro significativo cometido nos últimos anos. O ideal seria que os reajustes fossem anuais e não acumulados agora. “Se havia espaço fiscal para aumentar os valores anteriormente, por que não foram aumentados? Tomei a decisão de reajustar o Bolsa Família”, afirmou.

Ele destacou ainda que o governo projeta um superávit primário de 0,1% para 2027. Embora este valor seja modesto, oferece uma margem fiscal para viabilizar aumentos. Lula recordou ter herdado um déficit primário aproximado de 2,4% do PIB deixado pela administração anterior em 2023.

Ação contra endividamento familiar e apoio aos empresários

<pDurante a conversa, Lula ressaltou seu empenho em recuperar o poder aquisitivo da população brasileira, especialmente considerando que Jair Bolsonaro deixou cerca de 78% dos cidadãos endividados.

Para enfrentar essa situação crítica, foram lançadas três etapas do programa Desenrola para renegociação das dívidas. O Desenrola 3 está atualmente aguardando aprovação no Congresso Nacional e propõe que os bancos vendam as dívidas à União com descontos superiores a 90%.

“Estamos adquirindo as dívidas das pessoas com pendências superiores a dois anos até R$ 4 mil. Prevemos destinar cerca de R$ 150 bilhões para essa compra. Se conseguirmos adquiri-las por apenas 5% do valor original, estaremos realizando um favor imenso às pessoas endividadas neste país”, enfatizou.

Leia mais: Brasil cresce com Lula e volta ao top 8 das maiores economias em 2027

Lula também mencionou um plano de benefício no valor de R$ 5 mil destinado aos MEIs para reinvestirem em seus negócios e destacou a proposta de anistia às suas dívidas com o governo federal — totalizando R$ 12,7 bilhões — permitindo assim que esses empreendedores tenham suas situações regularizadas e consigam acessar mais crédito.

“Isso representa uma nova oportunidade para reativar tanto as pessoas quanto a economia. É uma forma encontrada para estimular os micro e pequenos empresários brasileiros sem comprometer nosso espaço fiscal”, avaliou.

Brasil entre as potências econômicas globais

A respeito do relatório do FMI que coloca o Brasil como oitava maior economia mundial até 2027, Lula relembrou que quando assumiu em 2003 o país ocupava apenas a décima segunda posição. Naquela época, enfrentava uma dívida de US$ 30 bilhões com o FMI e não apresentava crescimento econômico.

Ao final de seu primeiro mandato em oito anos, deixou a presidência com o Brasil posicionado como a sétima economia global e reservas internacionais superiores a US$ 270 bilhões após quitar suas dívidas externas.

“Além disso, emprestei US$ 15 bilhões ao FMI após a crise financeira global em decorrência da bolha imobiliária nos EUA. Agora estou novamente diante dessa situação; retomei uma economia classificada como décima segunda pelo governo anterior. Hoje já estamos na décima posição e acredito firmemente que no próximo ano estaremos entre as oito maiores economias mundiais. O único caminho para reduzir déficits relacionados à dívida é promover crescimento econômico; não podemos cortar recursos dos mais necessitados”, finalizou o presidente.

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