Em uma visita a Catalão (GO) nesta terça-feira (2), o presidente Lula criticou a postura da família Bolsonaro em relação a uma nova taxação proposta pelos Estados Unidos ao Brasil. Ele declarou que essa família representa “a pior espécie de ser humano” e se referiu a Flávio Bolsonaro como um covarde por não admitir seu encontro com autoridades norte-americanas que discutiram novas sanções ao país.
Lula expressou: “Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele. Na verdade, são vendilhões da pátria, buscando apoio de um país estrangeiro para interferir nas decisões brasileiras.”
<p“Hoje, esse cidadão aparece na mídia dizendo que não disse nada. Todo covarde age assim: fala besteiras e depois não tem coragem de assumir e mente”, acrescentou Lula, referindo-se à tentativa de Flávio de se distanciar das acusações.
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O presidente também rotulou o clã Bolsonaro como ‘família metralha’: “Eu conheço essa gente. Estou falando isso para que vocês entendam que lidamos com a pior espécie de ser humano que este país já viu. Em toda minha trajetória política, jamais presenciei tamanha sordidez como a que essa família trouxe ao governo entre 2018 e 2022.”
Lula afirmou que a viagem de Flávio aos Estados Unidos foi motivada pelo sucesso da sua agenda com Trump, o que gerou descontentamento no bolsonarismo. Eles então buscaram apoio de Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, para articular uma nova taxa de 25% sobre as exportações brasileiras.
Apesar das ameaças acerca dessa nova taxação, Lula comemorou a decisão da China em reabrir suas fronteiras para as importações de carne brasileira, após certificar a proteína nacional como livre de febre aftosa.
Lobby bolsonarista
No seu discurso, Lula lembrou que no ano anterior os Estados Unidos tentaram impor uma taxa de 50% ao Brasil sob a justificativa de um suposto déficit comercial, o que ele considerou uma inverdade. Na ocasião, publicou um artigo em jornais americanos e enviou uma carta à Casa Branca para esclarecer os fatos.
Ele destacou que nos últimos 15 anos, o superávit dos Estados Unidos em relação ao Brasil ultrapassou 400 bilhões de dólares.
Lula também recordou as reações dos “meninos do Bolsonaro” quando foi anunciada a primeira taxação: “Um deles, que é candidato à presidência [Flávio], disse em 9 de julho de 2025: Obrigado Trump, faça o Brasil livre novamente. Queremos a lei Magnitsky”, mencionando o esforço bolsonarista para implementar uma lei que pode afetar bens dos brasileiros, incluindo do ministro Alexandre de Moraes.
Conforme ressaltou Lula, Flávio agora tenta se esquivar das responsabilidades por suas ações prejudiciais ao país e buscou se desvincular da culpa relacionada às novas sanções.
O presidente lembrou ainda que Eduardo Bolsonaro, réu na Justiça brasileira, expressou gratidão a Trump e celebrou nas redes sociais: “Vamos rumo à lei Magnitsky.”
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Lula enfatizou sua recente reunião com Trump, onde apresentou documentos destinados a fortalecer as relações entre os países e desmentir informações falsas disseminadas pelo bolsonarismo.
“Recentemente estive nos Estados Unidos e conversei por três horas com Trump. O tal Marco Rubio, conhecido por ser adversário feroz de Cuba e outros países latino-americanos – já deixei claro para Trump que ele não é amigo do Brasil – não estava presente na reunião. Aproveitei para apresentar quatro documentos para Trump. Um deles abordava a questão comercial, demonstrando que os EUA têm um superávit em relação ao Brasil e não um déficit; além disso, provei que os principais produtos norte-americanos pagam zero impostos aqui”, explicou.
Ele também mencionou ter entregue um documento sobre minerais críticos e terras raras e destacou o novo conselho criado ligado à presidência para tratar desse assunto como uma questão prioritária para a soberania nacional. O Brasil é o segundo maior detentor desses recursos no mundo e apenas 30% do território foi mapeado.
“Queremos agora ter controle sobre nossos próprios recursos. Os minerais são nossos; precisamos aprender a utilizá-los adequadamente e gerar valor agregado aqui dentro do país”, completou.
Crime Organizado
Lula finalizou afirmando ter apresentado um documento a Trump ressaltando que o Brasil está preparado para enfrentar o crime organizado. Esse comentário reflete o debate sobre a classificação das organizações criminosas brasileiras como terroristas, algo que contraria as normas internacionais favorecendo o lobby bolsonarista.
O presidente também mencionou casos no estado americano de Delaware relacionados à lavagem de dinheiro por criminosos brasileiros ainda atuantes nos EUA. Ele fez alusão ao controlador do Grupo Refit (sem mencionar seu nome), implicado em operações criminosas através de postos de combustíveis e constando na lista da Interpol.
“Esse indivíduo reside em Miami. Entreguei a Trump detalhes sobre sua casa, endereço e nome. Se querem combater o tráfico e o crime organizado, comecem entregando-nos aqueles que estão lá fora”, concluiu Lula.

