Na cerimônia realizada nesta quarta-feira (20), Odair Cunha assumiu o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), com a presença do presidente Lula, além dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), junto a outros ministros e autoridades.
Até o dia anterior, Cunha era deputado federal, cargo que ocupou por seis mandatos representando o Partido dos Trabalhadores de Minas Gerais. Sua eleição foi considerada uma vitória significativa para a base governista de Lula, que enfrentou tentativas de bolsonaristas na Câmara para promover candidatos alinhados a eles para essa função.
O novo ministro obteve uma expressiva maioria dos votos, recebendo 303 dos 456 disponíveis. Após essa votação, sua indicação também foi aprovada no Senado, onde obteve 50 votos a favor e 8 contra.
No momento da posse, Vital do Rêgo, presidente do TCU, ressaltou que ocupar uma cadeira no tribunal deve ser visto como um compromisso com o serviço público: “Não é um ponto de chegada; é um ponto de serviço”, refletindo sobre a trajetória política similar à de Cunha como deputado.
Rêgo enfatizou a importância do diálogo na política: “A Câmara dos Deputados ensina muito. Ensina sobre leis, instituições e disputas legítimas. Aprendemos que ninguém governa ou transforma sozinho; a política é a arte de transformar diferenças em caminhos comuns”, disse ele em uma mensagem ao presidente Lula.
Ele também afirmou que “o diálogo não é fraqueza; é força”, destacando sua relevância para amadurecer decisões e construir pontes entre as instituições, algo essencial para o Brasil atualmente.
Sentado ao lado do presidente Lula estava Davi Alcolumbre. Recentemente, as relações entre eles ficaram tensas após acusações envolvendo Alcolumbre em um suposto conluio com bolsonaristas para barrar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Leia mais: A nomeação de Cunha para o TCU representa uma vitória do governo e uma derrota ao bolsonarismo.
<pEm um discurso carregado de emoção, Odair Cunha expressou sua gratidão aos pais presentes na cerimônia. Ele ressaltou que sua origem humilde — com mãe empregada doméstica e pai trabalhador rural — nunca impediu o apoio essencial à sua trajetória. Sua esposa e filhas também estiveram ao seu lado durante o evento.
Cunha se comprometeu a defender o patrimônio público e a Constituição em seu novo papel. Ele enfatizou que trabalhará para tornar o TCU mais acessível ao cidadão comum: “O TCU não pode ser visto como algo distante ou inacessível. A transparência é uma obrigação democrática, não um favor”, declarou o novo ministro.
A cerimônia contou com ampla participação de autoridades, incluindo o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; mais de dez ministros de Estado — destacando-se Luciana Santos, ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações; Cristina Machado da Costa e Silva, procuradora-geral do Ministério Público junto ao TCU; membros do Poder Judiciário; além da bancada mineira no Congresso Nacional e diversos deputados federais.

