Na Califórnia, uma seção de um sindicato local disponibilizou sua sede para a realização de um encontro público focado na política dos EUA em relação a Cuba. Embora essa ação não devesse suscitar grandes preocupações, os republicanos no Senado consideram que isso justifica uma investigação por parte do Congresso.
Artigo publicado originalmente nesta quarta-feira (19) pelo jornal People’s Word*
Bill Cassidy, presidente do Comitê de Saúde, Educação, Trabalho e Pensões (HELP) do Senado e republicano da Louisiana, deu início a uma investigação formal sobre as atividades da Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais (IAM), um dos sindicatos mais relevantes do país. A denúncia se deve à participação dos integrantes do sindicato em um evento solidário a Cuba, conforme relatado pela Fox News.
Cassidy enviou uma correspondência ao líder da IAM, Brian Bryant, solicitando que o sindicato apresente uma série de documentos relacionados aos supostos “vínculos do sindicato com o governo cubano”. Essa investigação representa um novo ataque dentro de uma ofensiva crescente contra organizações trabalhistas e progressistas, sob a justificativa de combater uma suposta “ameaça comunista” aos Estados Unidos.
A controvérsia surgiu em torno de um encontro realizado no dia 9 de maio na sede do sindicato dos maquinistas em Wilmington, Califórnia. Organizado pelo Comitê de Los Angeles para Tirar as Mãos de Cuba, o evento reuniu sindicalistas e ativistas da paz para debater a política externa americana em relação a Cuba.
Com aproximadamente 40 participantes presentes e outros conectados via Zoom, o foco principal da discussão foi o embargo e as restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos a Cuba — uma medida que gera mais de seis décadas de sofrimento ao povo cubano por meio de um bloqueio econômico amplamente criticado pelas Nações Unidas anualmente.
Dentre os palestrantes, estavam aqueles que retornaram recentemente de uma visita solidária a Cuba, onde se encontraram com trabalhadores locais para compartilhar experiências. Um representante da embaixada cubana, David Ramírez Álvarez, participou do evento por videoconferência, gerando indignação entre Cassidy e outros membros conservadores do Congresso.
A acusação contra a IAM — permitir que sua sede fosse usada para um encontro público — refere-se a uma atividade política que é garantida pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. Contudo, Cassidy acusou o sindicato de “conspirar com o regime cubano assassino”.
O senador também acusou a IAM de forçar seus membros a financiar “propaganda antiamericana” usando suas contribuições sindicais. Essa alegação carece de provas concretas e se baseia apenas em retórica anticomunista intensa.
Uma caça às bruxas ainda maior
A ação contra a IAM insere-se em um contexto mais amplo de ataque não apenas à Cuba e à sua soberania nacional, mas também à esquerda política, sindicatos e ativistas pela paz em todo o território americano.
Relatos indicam que tanto o Departamento de Justiça quanto o Departamento do Tesouro estão investigando 145 “organizações pró-Cuba” devido às suas atividades solidárias. Além disso, intimações judiciais foram emitidas pelo Comitê de Meios e Recursos da Câmara dos Representantes contra grupos progressistas como o The People’s Forum, sendo essa ação criticada como uma nova onda macartista.
Historicamente, o anticomunismo tem sido utilizado pela elite capitalista para dividir os trabalhadores e deslegitimar movimentos sindicais e solidariedade trabalhista. Comparações entre os ataques atuais promovidos pelo MAGA e aqueles da era macartista nos anos 1950 são evidentes; ambos visam qualquer indivíduo que questione as políticas externas dos EUA ou defenda direitos trabalhistas e democráticos.
A carta enviada por Cassidy à IAM contém 18 perguntas que vão desde informações sobre as contribuições anuais até questionamentos sobre se algum dirigente da IAM “coordenou ações com organizações cubanas”. Ele também indaga se foram pagos valores adequados pelo uso das instalações do sindicato durante o evento e se membros da IAM se reuniram com autoridades federais para pleitear mudanças na política cubana — outra ação respaldada pela Primeira Emenda.
Cassidy ainda exigiu esclarecimentos sobre como a missão do sindicato em prol dos direitos trabalhistas se alinha com as atividades defendidas por seus membros em relação a Cuba. No entanto, essa pergunta ignora convenientemente que a solidariedade com povos oprimidos sempre fez parte das melhores práticas do movimento sindical desde seu início.
No fundo, a investigação contra a IAM não diz respeito à “influência estrangeira”, mas sim à intimidação destinada a enviar uma mensagem clara para todos os sindicatos e organizações que desafiam as políticas externas americanas. O objetivo é alimentar uma falsa histeria acerca da “ameaça comunista”, enquanto pesquisas indicam que o MAGA pode enfrentar dificuldades nas eleições legislativas intermediárias programadas para novembro.
Demonstrar solidariedade ao povo cubano ou qualquer outro povo não constitui crime. Realizar atividades políticas legítimas visando contestar o bloqueio imposto a Cuba — responsável por imenso sofrimento — não é sinônimo de “colaboração com potências hostis”. A verdade é que Cuba não representa ameaça alguma aos Estados Unidos ou qualquer outra nação. O ataque atual visa desmantelar valores fundamentais como decência humana básica e solidariedade internacional — princípios estes protegidos pela Constituição americana.
* People’s Word é o sucessor do histórico Daily Worker, órgão oficial do Partido Comunista dos Estados Unidos
Tradução feita pela redação com auxílio de ferramenta de Inteligência Artificial
O post Ataque macartista contra sindicato por solidariedade a Cuba nos EUA apareceu primeiro em Vermelho.

