Mais um indicativo das divisões dentro do apoio ao presidente Donald Trump por parte dos republicanos surgiu na terça-feira (23), com a aprovação pelo Senado dos Estados Unidos da resolução H.Con.Res. 86. Essa proposta orienta o chefe do Executivo a retirar as tropas americanas de ações hostis contra o Irã, a menos que haja uma autorização formal do Congresso, seja através de uma declaração de guerra ou de uma legislação específica que permita o uso da força militar.
A votação resultou em 50 votos a favor e 48 contra, com quatro senadores republicanos — Rand Paul (Kentucky), Susan Collins (Maine), Lisa Murkowski (Alasca) e Bill Cassidy (Luisiana) — se unindo à maioria democrata, desafiando a linha partidária.
A resolução já havia sido aprovada anteriormente pela Câmara dos Representantes em 3 de junho, onde obteve 215 votos a favor e 208 contra. Este é um marco histórico, pois representa a primeira vez que ambas as casas do Congresso americano aprovam um documento invocando a Lei de Poderes de Guerra de 1973 (War Powers Resolution) para limitar uma ação militar em andamento por parte do Executivo.
Mesmo sendo principalmente simbólica — visto que se trata de uma resolução concorrente que não requer a sanção presidencial —, essa iniciativa serve como uma forte crítica ao estilo unilateral de política externa militarista promovido por Trump e à participação dos EUA em mais um conflito no Oriente Médio.
Guerra não autorizada
A ofensiva militar contra o Irã começou no dia 28 de fevereiro, com ataques aéreos coordenados entre os EUA e Israel, nomeada como “Operation Epic Fury”. Esta operação nunca recebeu aprovação prévia do Congresso. Os bombardeios, que atingiram alvos iranianos estratégicos, elevaram as tensões na região, impactaram o mercado global de petróleo e geraram significativa oposição interna nos Estados Unidos, onde pesquisas mostram que mais de 60% da população desaprova tais ações.
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A resolução sugere que as forças armadas dos EUA sejam retiradas das hostilidades contra o Irã ou qualquer setor de seu governo e forças armadas, exceto em casos de defesa contra ameaças iminentes, respeitando os limites impostos pela legislação de 1973. Trump se manifestou nas redes sociais criticando os senadores republicanos dissidentes e acusando-os de dificultar as negociações para a paz. Por sua vez, a Casa Branca tentou minimizar as consequências dessa decisão, afirmando que não existem hostilidades ativas após o cessar-fogo estabelecido em abril e questionando a constitucionalidade da Lei de Poderes de Guerra.
Repercussão institucional
Senadores da oposição comemoraram essa ação como um restabelecimento dos poderes constitucionais do Congresso conforme disposto no Artigo I da Constituição dos Estados Unidos.
No cenário internacional, essa decisão pode prejudicar as negociações que Trump está conduzindo em Genebra, na Suíça.
Na esfera global, países do Sul Global observam atentamente esta evolução diante das dificuldades crescentes enfrentadas pelo governo americano para manter operações prolongadas sem um consenso político interno.

