Flávio Bolsonaro, do PL, tem buscado novas iniciativas para desviar a atenção do escândalo conhecido como BolsoMaster. Contudo, a realidade continua presente e sua esperança de escapar desse problema parece cada vez mais distante. Não há como ignorar um fato crucial: o bolsonarismo está profundamente implicado no caso.
Além do pedido de R$ 134 milhões que Flávio fez ao banqueiro Daniel Vorcaro, a conexão entre o senador e Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro de Jair Bolsonaro e aliado próximo, se torna ainda mais preocupante. O ex-governador Claudio Castro (PL), um colaborador leal em seu estado, também é alvo da nova fase da operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
As investigações revelam que, durante a administração de Castro, a Rioprevidência investiu pelo menos R$ 3 bilhões em ativos considerados problemáticos do Master. Esse investimento foi realizado apesar dos alertas emitidos pelo Conselho Fiscal do fundo e pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.
É importante ressaltar que apenas 11 dias antes, Castro havia sido investigado em outra operação, chamada Sem Refino, que apura fraudes fiscais relacionadas à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. De acordo com a PF, ele teria desempenhado um papel significativo na proteção e no favorecimento dos interesses do grupo envolvido.
Ainda que esteja inelegível devido a questões como abuso de poder político e econômico e captação ilícita de recursos nas eleições de 2022, o ex-governador planejava recorrer da decisão judicial para concorrer ao Senado.
Diante desse contexto complicado e buscando proteger Flávio de novos escândalos, os líderes do PL consideram que a candidatura de Castro ao Senado está praticamente comprometida. Entretanto, membros da cúpula partidária desejam que ele renuncie à corrida eleitoral. Simultaneamente, conforme informações divulgadas pelo jornal Valor Econômico, o partido pondera romper publicamente os laços com Castro para evitar mais danos à imagem do presidenciável e da sigla.
Além das complicações envolvendo Castro, aliados percebem que os desdobramentos das investigações e as reportagens do Intercept Brasil fragilizam significativamente Flávio e sua candidatura, tornando-o um aliado considerado “tóxico”.
Após minimizar a situação de Flávio quando o escândalo surgiu, o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) declarou nesta terça-feira que “há diversas questões que ele mesmo (Flávio) precisa esclarecer. A população está atenta a esses escândalos relacionados ao Banco Master, algo que ofende a sociedade como um todo (…)”.
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A insatisfação até mesmo entre os integrantes do agronegócio em relação a Flávio é evidente. “A percepção no setor é que o áudio (da conversa entre Zero Um e Vorcaro) diminuiu a competitividade de Flávio e resultou numa redução do apoio financeiro que alguns produtores pretendiam destinar ao senador”. Essa declaração não provém de uma fonte da grande mídia ou da esquerda, mas sim da Jovem Pan, um veículo tradicionalmente alinhado à extrema direita.
Diante da crise em que ele e o bolsonarismo se encontram relacionada ao caso Master, Flávio começou a explorar outras pautas para mudar o foco das atenções. Como parte dessa tática, produziu um vídeo onde se apresenta como vítima e afirma estar usando colete à prova de balas devido a ameaças recebidas. Além disso, conseguiu realizar uma visita tão aguardada a Donald Trump nesta terça-feira (26), embora o impacto disso permaneça incerto.
No entanto, nada disso irá isentar o senador da responsabilidade de explicar por que solicitou uma quantia tão elevada a um banqueiro cuja instituição já levantava suspeitas no mercado financeiro.
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