Nesta terça-feira (4), o governo de Donald Trump decidiu revogar o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, marcando mais um episódio da crescente tensão entre Washington e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Embora a revogação não signifique a expulsão da diplomata, ela limita o pleno exercício de suas atribuições. Se Viotti deixar os EUA, terá que solicitar um novo visto para poder retornar ao país.
A administração Lula manifestou seu descontentamento com essa ação, qualificando as justificativas do Departamento de Estado como “falsas”.
Em uma declaração oficial, o Brasil caracterizou a decisão como parte de uma “escalada deliberada de ações hostis” direcionadas ao país e destacou um “interesse impróprio em interferir nas próximas eleições presidenciais”.
O governo norte-americano alegou ter tomado essa medida devido à demora brasileira em conceder o agrément — a autorização necessária para nomear um embaixador — a Daniel Perez, escolhido por Trump para representar os EUA em Brasília.
Desde janeiro de 2025, a posição permanece desocupada após a saída de Elizabeth Bagley, então embaixadora designada pelo ex-presidente Joe Biden, com o retorno de Trump ao governo.
A gestão republicana ficou sem indicar um sucessor por mais de um ano e meio, anunciando Daniel Perez apenas em junho deste ano, pouco tempo antes das eleições presidenciais brasileiras programadas para outubro.
Contudo, esse argumento é contestado pelo Itamaraty. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil enfatiza que a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas não estipula prazos para a concessão do agrément, ressaltando que o pedido dos Estados Unidos ainda está sob análise.
Além disso, o governo brasileiro critica uma inversão no procedimento diplomático adotado por Washington. A Casa Branca anunciou publicamente Perez como futuro embaixador antes mesmo de fazer a solicitação formal à Brasília.
Conforme as normas diplomáticas estabelecidas pela Convenção de Viena, a consulta ao país que receberá o novo embaixador deve ser mantida em sigilo e realizada antes do anúncio público da nomeação.

