Ao final de abril de 2026, a administração de Donald Trump enfrenta os piores índices de aceitação desde o início de seu segundo mandato. Informações compiladas pelo agregador Nate Silver Bulletin e pesquisas da Reuters/Ipsos, divulgadas recentemente, revelam que a desaprovação ao presidente alcançou um recorde histórico de 62%, enquanto sua taxa de aprovação permanece estagnada em 36%. Esses resultados refletem o desgaste gerado pela intervenção militar no Irã, além da inflação persistente que afeta gravemente o poder aquisitivo da classe média.
Conflito e isolamento diplomático
A gestão do conflito no Irã, que já se arrasta por sete semanas, é um dos principais fatores que contribuem para a rejeição entre eleitores independentes e moderados. Apenas 33% da população americana apoia a estratégia militar adotada por Washington. Os efeitos dessa situação são visíveis nos preços dos combustíveis, com o galão custando cerca de US$ 4. Além das questões econômicas, o comportamento do presidente tem sido alvo de críticas, principalmente após suas declarações ofensivas ao Papa Leão XIV, o primeiro pontífice dos Estados Unidos, a quem Trump caracterizou em suas redes sociais como “fraco em relação ao crime e péssimo na política externa”.
No âmbito econômico interno, o sentimento predominante é de desconfiança. Apesar do governo enfatizar os recordes no mercado acionário, 76% dos cidadãos desaprovam a maneira como está sendo administrado o custo de vida. Somente um quarto dos americanos acredita na eficácia das políticas atuais para combater a inflação — uma queda considerável em comparação aos 44% registrados no início do mandato.
Movimento de resistência: “No Kings”
A mobilização popular conhecida como “No Kings” se firmou como a principal força oposicionista nas ruas. Após um histórico ato realizado em 28 de março, que contou com a participação de quase 9 milhões de pessoas, o movimento continua ativo em sua mobilização base. Em seu site oficial, os organizadores afirmam que “Trump pretende governar como um tirano”, destacando que o poder pertence ao povo e não a “aspirantes a reis ou seus aliados bilionários”. A mensagem central da coalizão é clara: “Na América, não temos reis”.
A agenda futura da coalizão inclui:
- 30 de abril: Encontros regionais para avaliação e planejamento estratégico em todos os estados.
- Maio de 2026: Início das caravanas “Liberty Road”, que percorrerão o cinturão industrial (Rust Belt) para denunciar os impactos econômicos da guerra.
- 4 de julho de 2026: Grande mobilização nacional para celebrar o 250º aniversário da Independência, com foco na oposição à “deriva monárquica” do governo.
Reações oficiais e divisões no Partido Republicano
<pFrente aos números desfavoráveis, Trump adotou uma postura de deslegitimação das pesquisas, classificando-as como “dados falsos provenientes de meios enganosos”, sugerindo ainda investigações sobre possíveis fraudes eleitorais. A Casa Branca minimizou os protestos com uma nota breve afirmando que “não considera esses atos relevantes”.
O presidente também fez ironias sobre o título de “rei” atribuído pelos manifestantes, argumentando que se realmente fosse um rei estaria realizando muito mais e reafirmou: “Não sou um rei; trabalho arduamente para fazer nosso país grande novamente”. No Congresso, os opositores intensificaram as críticas. Chuck Schumer, líder da minoria no Senado, descreveu o índice alarmante de rejeição como uma sentença sobre a incapacidade do presidente em entregar resultados concretos devido à “guerra desnecessária e à inflação desenfreada”.
A insatisfação vem causando fissuras dentro do próprio Partido Republicano. A senadora Susan Collins alertou que tal nível de desaprovação impacta todo o partido e destacou a necessidade urgente de apresentar resultados para evitar perdas significativas nas próximas eleições. O deputado Brian Fitzpatrick foi ainda mais incisivo ao afirmar que eleitores independentes estão se distanciando do governo, o que poderá transformar as eleições em novembro em um referendo contra Trump.
Apesar das críticas contundentes recebidas, a Casa Branca mantém sua atenção voltada para indicadores financeiros positivos, reiterando que o mercado acionário registrou 52 novos recordes históricos e assegurando que isso beneficia os planos previdenciários 401(k). Com as eleições intermediárias se aproximando em apenas seis meses e além das dificuldades relacionadas ao Irã, Trump enfrenta também o grande desafio de mudar a percepção negativa de 72% dos eleitores que acreditam que o país está seguindo na direção errada.

