A recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de intensificar as hostilidades contra o Irã ao romper o Memorando de Entendimento que estabelecia um cessar-fogo entre os dois países, representa uma clara transgressão do direito internacional e das normas constitucionais da própria nação norte-americana.
O aiatolá Mojtaba Khamenei, líder supremo do Irã, declarou que a assinatura de Trump “não possui valor nem credibilidade”. Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores iraniano acusou os EUA de cometerem “vários crimes de guerra, especialmente ao atacar instalações e estruturas civis”, caracterizando isso como uma “violações graves da Carta das Nações Unidas e dos princípios fundamentais do direito internacional”.
O governo iraniano frisou que sua resposta, que incluiu ataques a alvos americanos em países vizinhos, é justificada como um ato de legítima defesa. As forças iranianas realizaram ofensivas no Kuwait e no Bahrein, locais onde estão baseadas tropas dos Estados Unidos. Além disso, a resistência se intensificou com as ações do grupo houthi no Iémen, que anunciou um bloqueio aos navios sauditas no Estreito de Bab el-Mandab, alternativa ao Estreito de Ormuz, medida que pode impactar mais de 3% do comércio global de petróleo.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que seu país está “imerso em uma guerra em grande escala”. Ele destacou: “A guerra atual não se resume apenas a mísseis; o inimigo percebeu que não conseguirá fazer com que o povo iraniano se submeta por meio de ataques militares.” Pezeshkian completou dizendo que “a economia e os meios de subsistência da população são o principal campo de batalha contra o adversário”.
Teerã alertou que uma possível invasão terrestre por parte dos EUA, cuja discussão foi aberta por Washington, poderia expandir o conflito por toda a região do Golfo Pérsico. O jornal Washington Post informou que o Pentágono está avaliando opções para operações terrestres que podem envolver milhares de soldados e se prolongar por semanas ou até meses. Trump já descartou qualquer possibilidade de novas negociações.
No cenário interno americano, Trump ignorou novamente a decisão do Congresso que proíbe novos ataques sem sua aprovação prévia conforme estipulado pela Constituição. Além disso, uma nova legislação aprovada em junho impôs limites ao poder presidencial para realizar novos ataques, mas essa lei não recebeu sanção dele apesar da pressão em virtude dos impactos econômicos. Após a aprovação no Senado, Trump comentou: “Esses senadores dificultaram meu trabalho, mas alcançarei meu objetivo de qualquer maneira porque sempre consigo.”
No mês anterior, o governo requisitou US$ 87,6 bilhões em financiamento adicional, incluindo US$ 67,1 bilhões para gastos militares extras neste ano. Segundo dados do Pentágono, os custos acumulados da guerra já ultrapassam US$ 200 bilhões, equivalentes a mais de R$ 1 trilhão.
A decisão tomada por Trump complicou ainda mais o cenário político para os republicanos diante da crescente desaprovação pública sobre uma guerra impopular às vésperas das eleições parlamentares intermediárias. A aprovação do presidente continua em queda e tem desgastado até mesmo o movimento Make America Great Again (MAGA), revelando uma crescente fragmentação interna.
Trump reflete os interesses dos altos comandantes militares e das figuras proeminentes no setor bélico americano — uma fonte crucial de poder e recursos financeiros dentro do governo. No Oriente Médio, rico em recursos naturais e ponto estratégico geopolítico entre três continentes, essa dinâmica também serve para cercar China e Rússia enquanto utiliza Israel como um agente imperialista na região — uma situação que se agravou ao longo dos anos.
Durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Ancara nos dias 7 e 8 de julho, Trump cobrou severamente seus aliados sobre a necessidade de aumentar seus gastos militares. Ele exigiu que os países europeus elevassem suas despesas atuais de 2% para 5% do PIB ou corriam o risco de perderem apoio dos Estados Unidos. O presidente ameaçou deixar a aliança caso as exigências não fossem atendidas. O secretário da Defesa, Pete Hegseth condicionou ainda esse aumento à aceleração nas vendas de armamentos americanos.
Em público, Trump demonstrou satisfação pelos lucros gerados pelo complexo industrial-militar americano. Ele tratou as vendas de armas com a naturalidade típica de um comerciante habitual. As guerras não servem apenas para impor controle sobre outras nações e explorar suas riquezas; elas também visam maximizar os lucros obtidos com armamentos. É um aspecto sombrio da estratégia americana para conter seu declínio hegemônico.
O embaixador americano na Otan, Matt Whitaker, elogiou os aliados europeus por terem comprometido quase US$ 120 bilhões em despesas militares no último ano — metade desse total destinada à compra de equipamentos fabricados nos EUA — um montante significativamente superior aos US$ 90 bilhões registrados na cúpula anterior. O secretário-geral da Otan Mark Rutte afirmou durante visita a Washington que esses investimentos sustentam cerca de 110 mil empregos nos Estados Unidos através dos pedidos no valor total aproximado de US$ 300 bilhões.
Nas reuniões com líderes empresariais do setor defensivo como Lockheed Martin, Boeing e BAE Systems, Trump firmou acordos para aumentar drasticamente a produção de mísseis (como Patriot e Tomahawk) e interceptadores fundamentais. Ele invocou ainda o Ato de Produção de Defesa — legislação da década de 1950 relacionada à Guerra da Coreia — para obter maior controle sobre a indústria nacional.
A ordem emitida exige que as empresas fabricantes atuem com máxima eficiência na produção para reabastecer estoques estratégicos. Em discurso proferido na Cúpula de Defesa e Inovação realizada em 15 de julho na Escola Superior de Guerra do Exército na Pensilvânia, Trump ressaltou que “conflitos prolongados” têm consumido grandes quantidades desses armamentos essenciais.
Esse panorama sugere um ideal militarista sem limites contra povos ao redor do mundo e demanda ações eficazes rumo à construção de uma ordem mundial equilibrada e pacífica. A abordagem trumpista baseada na força bruta configura-se como uma verdadeira declaração beligerante contra a humanidade. Portanto, promover a paz e combater as agressões imperialistas sob a administração Trump torna-se uma responsabilidade coletiva entre todos os povos.
Povos brasileiros e demais cidadãos da América Latina e Caribe devem estar cientes das implicações dessas guerras distantes; elas podem ter repercussões diretas aqui. O Brasil enfrenta pressões políticas constantes além das ameaças externas. Reeleger Lula como presidente e derrotar forças extremistas alinhadas a Trump é fundamental para contribuir com a luta pela paz em nossa região e no mundo inteiro.
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