O escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência, e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, está provocando agitações dentro do campo da direita e também no Palácio dos Bandeirantes.
Após as manifestações de afastamento público de Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ciro Nogueira em relação ao caso conhecido como ‘BolsoMaster’, agora é a vez do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) criticar o senador. Flávio, que esta semana tentou melhorar sua posição nas pesquisas ao ser fotografado com Donald Trump durante um breve encontro, enfrenta pressões crescentes.
Nesta terça-feira (26), durante uma agenda em Perus, na cidade de São Paulo, Tarcísio declarou que Flávio “tem muitas questões que ele mesmo precisa esclarecer”. Ele enfatizou a necessidade de que tudo seja “claramente explicado”.
“Acredito que existem muitos pontos que ele deve esclarecer. A população está ciente desse escândalo relacionado ao Banco Master, algo que afeta toda a sociedade. Isso gera um estado de alerta entre as pessoas e, portanto, é imprescindível que tudo seja muito bem esclarecido”, afirmou o governador.
Ao ser questionado sobre seu distanciamento público de Flávio, Tarcísio mencionou que se concentrará na disputa eleitoral apenas quando a campanha estiver oficialmente em andamento. Com isso, ele busca dissociar qualquer impressão de desgaste entre eles.
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Diante das revelações feitas pelo The Intercept Brasil, datadas de 13 de maio, sobre a solicitação feita por Flávio a Vorcaro para R$ 134 milhões para o filme ‘Dark Horse’, Tarcísio não teve mais encontros com o senador.
Apenas três dias após a divulgação do áudio polêmico, o governador alegou estar gripado e cancelou um compromisso onde se encontraria com Flávio. Esse evento seria o lançamento da pré-candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado. Há expectativas de que ambos possam se encontrar durante a Marcha para Jesus, agendada para 4 de junho em São Paulo.
No tocante ao caso ‘Dark Horse’, investigações indicam que um fundo sob gerência de um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro recebeu efetivamente R$ 61 milhões. A Polícia Federal está apurando as circunstâncias em torno do uso desse dinheiro, suspeitando que ele possa estar destinado à estadia de Eduardo nos Estados Unidos.
Descolamento político
A postura adotada por Tarcísio revela uma tentativa estratégica de se desvincular de Flávio visando sua própria proteção política. Embora ocupe a função de coordenador da campanha presidencial do senador em São Paulo, ele reconhece que também tem sua própria eleição para administrar.
Com uma vantagem anteriormente considerável sobre o pré-candidato Fernando Haddad (PT-SP), Freitas poderá enfrentar uma concorrência mais acirrada nas próximas pesquisas eleitorais se os desdobramentos negativos associados ao escândalo financeiro envolvendo Vorcaro chegarem até ele, assim como já impactam seu aliado direto.
Sendo ciente da possibilidade de novas revelações comprometedores surgirem e agravarem sua situação, Tarcísio adota uma postura ambígua em relação ao senador. Ele se vê num dilema: não pode romper totalmente os laços com Flávio sem arriscar perder apoio entre os bolsonaristas, mas também precisa evitar ser implicado no escândalo associado ao aliado.
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A estratégia em questão é arriscada e pode repercutir negativamente. Vale destacar que Tarcísio recebeu R$ 2 milhões em doação para sua campanha em 2022 do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel. Como o bolsonarismo não admite meio-termo, o governador precisa decidir rapidamente se irá continuar enviando mensagens indicando que Flávio “precisa explicar-se”, ou corre o risco de enfrentar críticas internas vindas dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Essa situação não afeta apenas Tarcísio; outros líderes da extrema direita estão passando pela mesma situação complexa. Entre eles estão Romeu Zema (Novo-MG), deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), comentarista Rodrigo Constantino, Ciro Nogueira (PP-PI) e Ricardo Salles (Novo-SP).

