Um levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revela que, até 10 de agosto, 82,5% dos 171 acordos e convenções coletivas registrados resultaram em aumentos salariais superiores à inflação, conforme medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do IBGE. Esses dados referem-se à data-base de julho de 2026.
No entanto, essa porcentagem apresenta uma diminuição de 5 pontos percentuais em comparação a junho, quando 87,6% dos acordos resultaram em ganhos reais. O índice para julho se destaca como o mais baixo entre as datas-bases de 2026 e o menor desde novembro do ano anterior.
Os especialistas do Dieese alertam que é prematuro concluir que essa queda sinaliza uma deterioração nas negociações coletivas. O número limitado de registros referentes à data-base de julho deve ser considerado, visto que ainda há um período entre o início das negociações e a coleta dos dados.
É importante notar que novos acordos ainda podem ser registrados para a data-base de julho, sugerindo que os números apresentados pelo Dieese estão sujeitos a revisões futuras.
Analisando um período mais amplo, os resultados acumulados nos últimos 12 meses indicam uma tendência positiva nas negociações coletivas.
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<pEntre agosto de 2025 e julho de 2026, a porcentagem de reajustes que superaram a inflação foi de 83,9%. Em contrapartida, no intervalo de agosto de 2024 a julho de 2025, esse percentual era menor, registrado em 76,1%. Esses dados demonstram um aumento na proporção de aumentos salariais acima do INPC e uma diminuição daqueles que ficaram iguais ou abaixo da inflação.
<pAinda assim, vale ressaltar que o percentual de reajustes acima da inflação foi significativamente maior comparado ao mesmo mês do ano passado, quando apenas 49,7% das negociações apresentaram ganhos reais.
A média real dos reajustes mostrou uma queda pelo quarto mês consecutivo. Em julho deste ano, os salários foram ajustados em média em 1,1% acima da variação do INPC. Esse resultado ainda é superior ao registrado em julho de 2025, quando o ganho real médio foi apenas de 0,54%.
Para os grupos com data-base em agosto, o reajuste necessário para compensar a inflação segundo o INPC será equivalente a 4,10%, o que sugere uma possível reversão da trajetória ascendente da inflação observada entre abril e junho deste ano.
Bancários da Bahia
Dentre as categorias que conseguiram garantir ganhos reais em julho, algumas ainda enfrentam desafios por melhores condições neste mês. A base do Sindicato dos Bancários da Bahia rejeitou uma proposta considerada “indecente” pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Uma assembleia realizada na segunda-feira (17) resultou em uma votação onde 97,48% dos participantes se opuseram à proposta e 97,38% aprovaram uma paralisação programada para esta quinta-feira (20).
Correios
Da mesma forma, os trabalhadores representados pela Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares (Findect) também negaram a proposta apresentada pelos Correios.
No dia 18 de agosto, os Correios trouxeram sua proposta econômica para o Acordo Coletivo de Trabalho referente ao período de 2026/2027. O ajuste oferecido correspondeu a apenas 20% do INPC acumulado entre agosto de 2025 e julho de 2026. Com base no INPC projetado em 4,10%, isso significaria um aumento efetivo nos salários de apenas 0,82%, válido a partir do dia primeiro de agosto. Em resposta à situação atual, a categoria está organizando uma greve prevista para o dia 10 de setembro.

