De acordo com o New York Times, o Brasil é considerado a “peça que falta” na estratégia de Donald Trump para expandir a influência dos Estados Unidos na América Latina.
Em uma reportagem divulgada no dia 5 de outubro, o repórter Jack Nicas analisa que uma possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL) poderia estreitar as relações do Brasil com um grupo de governos favoráveis a Washington.
Nicas caracteriza o governo Trump como ativo em estabelecer “níveis sem precedentes de controle” sobre a região. A matéria menciona uma série de ações, incluindo tarifas, sanções, revogação de vistos, intervenções em processos eleitorais e operações militares, além do embargo ao petróleo cubano e a tentativa de captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
O jornalista classifica essa abordagem como uma versão mais agressiva da Doutrina Monroe, que historicamente reivindica a supremacia dos Estados Unidos sobre os países latino-americanos.
Durante um discurso nas Nações Unidas, Trump sintetizou sua visão para os aliados na América Latina: “Vocês estavam sozinhos. Agora, não estão mais.”
A guerra às drogas é destacada como um dos pilares da política norte-americana na região. Os Estados Unidos identificaram 21 organizações criminosas da América Latina como grupos terroristas. Além disso, o Pentágono realizou 71 ataques contra embarcações associadas ao narcotráfico, resultando na morte de quase 240 indivíduos que o governo americano classifica como traficantes. Juristas apontam que tais ações podem ser consideradas ilegais.
Flávio Bolsonaro, defensor das políticas de Trump, afirmou que pretende “incluir o Brasil” no Escudo das Américas e cooperar “com os EUA” no combate às facções brasileiras. Ele também mencionou a possibilidade de aceitar uma intervenção militar americana no país, embora tenha negado essa intenção em entrevistas recentes.
De acordo com a reportagem, o senador argumenta que a verdadeira ameaça provém dos cartéis e não do governo Trump.
Nicas observa que dezoito países se uniram à coalizão anticartéis promovida pelos Estados Unidos e pelo menos quatro deles concordaram em realizar operações militares conjuntas com o Pentágono.
No entanto, o repórter expressa ceticismo acerca da eficácia dessa iniciativa. O artigo recorda que especialistas indicam que os ataques às embarcações não resultaram em uma diminuição significativa no tráfego de cocaína e levantam questionamentos sobre as implicações da cooperação militar para a soberania das nações latino-americanas, considerando a disparidade de poder entre Washington e seus aliados.
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