O início do movimento remonta a setembro, quando alunos de um liceu localizado em Créteil, nos arredores de Paris, decidiram bloquear a escola em solidariedade aos professores que lutavam contra a escassez de profissionais na área da educação.
Após cinco semanas, essas manifestações se alastraram por todo o território francês, alcançando universidades e conquistando o apoio de sindicatos e trabalhadores da educação. Nesta terça-feira (13), a quinta jornada nacional mobilizou manifestantes nas ruas de diversas cidades, como Paris, Lyon, Nantes, Marselha e Lille.
No liceu Paul-Éluard, em Saint-Denis, a ativista sueca Greta Thunberg uniu-se aos estudantes. “Nosso futuro está sendo roubado”, declarou ela. Advogados formaram uma corrente humana para apoiar os jovens após relatos de violência policial durante os protestos.
Na semana anterior, imagens de estudantes em cima da coluna da Bastilha em Paris chamaram a atenção internacional para as manifestações.
Os estudantes expressam suas preocupações sobre a falta de professores nas instituições de ensino, salas superlotadas e o estado precário de muitos prédios escolares. Além disso, exigem mais vagas nas universidades e o fim do sistema Parcoursup, responsável pela organização do acesso ao ensino superior.
A pressão sobre o governo minoritário e liberal de Macron aumentou, especialmente com a tentativa de aprovação do orçamento para 2027, que prevê um plano de austeridade no valor de 54 bilhões de euros para atender às demandas da burguesia nacional francesa por redução do déficit público.
Em resposta à situação crítica nas escolas, o governo anunciou que enviará 3 mil professores substitutos para colmatar a falta de profissionais. Embora essa medida tenha sido vista como uma vitória parcial dos estudantes, os sindicatos consideram essa ação insuficiente e alertam que os novos docentes podem não suprir as necessidades específicas das escolas.
A mobilização dos estudantes continua firme apesar do anúncio feito por Macron. As entidades estudantis seguem pressionando por soluções mais efetivas para a crise na educação.
A repressão policial também tem contribuído para desgastar o governo. Desde o começo dos protestos, 6.877 pessoas foram detidas; 86% delas eram menores de idade, conforme informações do Ministério da Justiça.
Atualmente, há 24 denúncias sobre abusos policiais sob investigação. Na sexta-feira (9), Shabia Mantoo, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, declarou que a ONU estava “preocupada” com os incidentes e pediu que as forças policiais utilizassem força proporcional. A Anistia Internacional também criticou a abordagem excessiva da polícia.
Uma manifestação contra o custo de vida e os altos preços dos combustíveis está programada para 17 de outubro. A convocação ocorreu antes dos protestos estudantis; no entanto, sindicatos e jovens esperam que os estudantes se juntem às ruas com suas reivindicações educacionais.
As manifestações contra o aumento dos combustíveis em 2018 deram origem ao movimento dos coletes amarelos, que se espalhou pelo país. A possibilidade de uma nova união entre pautas sociais intensifica a pressão sobre Macron a apenas seis meses das eleições presidenciais.

