Uma nova pesquisa realizada pela Genial/Quaest, apresentada nesta quarta-feira (10), revela que o episódio conhecido como “Bolsomaster” e o recente aumento de tarifas promovido pelos Estados Unidos impactaram significativamente a corrida presidencial de 2026. No cenário do primeiro turno, o presidente Lula (PT) permanece com 39% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) caiu para 29%, resultando em uma diferença de dez pontos entre os dois principais pré-candidatos.
Este levantamento é pioneiro ao avaliar as consequências do vazamento de gravações nas quais o senador solicita recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, que retrata Jair Bolsonaro. A pesquisa também evidencia um desgaste acentuado na imagem de Flávio, cuja rejeição subiu para 56% após ser responsabilizado pelo eleitorado pelas novas barreiras alfandegárias impostas pelos EUA ao Brasil.
Os dados da Quaest mostram que Lula mantém os mesmos 39% já observados em maio, enquanto Flávio Bolsonaro apresentou uma queda de quatro pontos, passando de 33% para 29%. Essa estabilidade do presidente em contraste com a desaceleração do adversário resulta na maior diferença desde que Flávio se tornou a principal figura do campo bolsonarista.
No novo contexto eleitoral, outros nomes compõem as intenções de voto: Renan Santos (3%), Ronaldo Caiado (3%), Romeu Zema (2%), Aécio Neves (2%), Augusto Cury (1%), Joaquim Barbosa (1%) e Samara Martins (1%). Adicionalmente, 9% dos entrevistados declararam brancos ou nulos, e 10% estão indecisos.
Um dado significativo sobre o crescimento da candidatura de Lula é a movimentação entre eleitores independentes: aqueles que não se identificam nem com o lulismo nem com o bolsonarismo aumentaram sua preferência por Lula, passando de 29% para 37%, enquanto Flávio viu sua aceitação cair de 31% para 24%.
A evidência do isolamento e da crise da oposição extrema-direita se torna ainda mais clara nas simulações para um segundo turno apresentadas hoje pela Quaest. Nos cenários analisados, Lula solidifica sua liderança com uma vantagem que ultrapassa a margem de erro, alcançando 44% das intenções contra 38% de Flávio Bolsonaro em um confronto direto. Em maio, essa diferença era apenas um ponto (42% a 41%).
A atual margem de seis pontos reflete a migração de votos provenientes dos setores moderados que rejeitam a associação do candidato do PL a fraudes financeiras e aos danos causados à economia após sua agenda em Washington. Em outras simulações para segundo turno, Lula venceria Romeu Zema e Ronaldo Caiado por 45% a 35%, além de derrotar Renan Santos com uma votação de 45% a 31%.
Traição e corrupção bolsonarista
A pesquisa ressalta como o caso Master e as decisões recentes do governo Donald Trump influenciam diretamente no cenário político e econômico brasileiro. Os eleitores mostraram sensibilidade às novas tarifas de 25% aplicadas pelos EUA sobre produtos brasileiros, episódio apelidado nas redes sociais como “Tariflávio”.
Embora a pesquisa não forneça uma porcentagem específica atribuindo culpa total pela tarifa, a análise dos dados indica que a viagem de Flávio a Washington gerou reações negativas que punem o setor produtivo nacional e comprometem seu discurso alinhado à Casa Branca. Esse insucesso diplomático associado ao senador ajuda a explicar seu aumento na rejeição para os alarmantes 56%, tornando-o o menos aceitável entre os presidenciáveis.
Paralelamente ao revés internacional, o escândalo financeiro ganhou força com os áudios em que Flávio solicita financiamento ao ex-banqueiro Vorcaro para um filme exaltando seu pai. O impacto nas pesquisas é direto: segundo a Quaest, 12% dos entrevistados afirmam que a relação entre Flávio e Vorcaro diminuiu sua disposição em votar nele como presidente, consolidando uma erosão nas intenções previamente captadas.
As conversas entre Flávio e Vorcaro estão inseridas em investigações sobre fraudes e contratos suspeitos relacionados ao Banco Master. O progresso desses inquéritos renovou as negociações sobre delação premiada entre Vorcaro e a Polícia Federal.
A análise feita pela Quaest está alinhada com outras pesquisas recentes que reforçam a tendência declinante do bloco conservador. O levantamento AtlasIntel/Bloomberg já indicava que 64,1% dos participantes acreditavam que os áudios tornaram mais fraca a candidatura de Flávio, sendo que 51,7% consideram as conversas como provas concretas de envolvimento no escândalo financeiro.
A sequência de crises reacendeu discussões sobre corrupção dentro da direita em um momento em que o governo federal está recuperando sua imagem; atualmente, sua aprovação alcançou 47%, empatando tecnicamente com uma desaprovação registrada em 48%.

