Na quarta-feira (28), a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que solicita o encerramento do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba, com 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções.
Embora a maioria expressiva tenha reafirmado seu apoio à nação cubana, esse número representa uma queda em relação ao ano anterior, quando 165 países apoiaram a medida, sete se opuseram e 12 optaram pela abstenção.
A Alemanha e a Itália, juntamente com outros países ocidentais, se abstiveram pela primeira vez em muitos anos. A mudança foi celebrada pelos Estados Unidos; o representante Mike Waltz manifestou esperança de que mais nações reconsiderem suas posições.
Durante as discussões, o chanceler cubano Bruno Rodríguez Parrilla denunciou que os EUA realizaram pressões, intimidações e chantagens sobre os Estados-membros para que alterassem suas posturas, que têm sido mantidas há várias décadas.
Rodríguez revelou que desde o início da sessão, os danos causados pelo bloqueio já ultrapassavam US$22,9 milhões. Ele destacou que as restrições energéticas intensificam a escassez de combustíveis, medicamentos e alimentos, impactando tanto hospitais quanto famílias cubanas.
“Hoje a pressão é direcionada para Cuba. Contra qual país essa tática pode ser utilizada amanhã?”, indagou o chanceler. Ele caracterizou o bloqueio energético como uma punição coletiva e afirmou que essas sanções contrariam o direito internacional e a Carta das Nações Unidas.
No dia anterior à votação, as tensões entre as delegações cubana e americana culminaram em um acalorado debate nos corredores e no plenário da ONU. Waltz negou a existência do bloqueio e atribuiu as dificuldades econômicas de Cuba às políticas internas do governo cubano. Em resposta, Rodríguez contestou as alegações e criticou a postura do representante dos EUA. “Isto é a ONU. É a capital do multilateralismo”, declarou.
Embora essa resolução não tenha caráter vinculante, ela reflete a posição da comunidade internacional. Há mais de trinta anos, a Assembleia Geral solicita o fim do bloqueio; apenas o Congresso dos Estados Unidos tem poder para suspendê-lo.

