As expectativas para o crescimento econômico do Brasil em 2026 são otimistas, com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisando sua projeção do PIB (Produto Interno Bruto) de 1,8% para 2%. Essa atualização foi divulgada no Informe Conjuntural referente ao primeiro trimestre, publicado na última sexta-feira (17).
A CNI se alinha às recentes correções do FMI (Fundo Monetário Internacional), que também ajustou suas previsões para a economia brasileira. No relatório intitulado Perspectiva Econômica Global, lançado na terça-feira (14), o FMI elevou sua estimativa do PIB nacional de 1,6% para 1,9%, colocando o Brasil novamente entre as dez maiores economias globais.
Esse fenômeno de revisões positivas não é inédito; nos anos anteriores, instituições e órgãos frequentemente ajustavam suas previsões pessimistas ao longo do tempo. Os resultados favoráveis nos três setores principais da economia — indústria, serviços e agropecuária — têm se acumulado durante a administração de Lula.
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No informe, a CNI também aponta um aumento nas expectativas para o crescimento da indústria. A previsão anterior de crescimento de 1,1% foi elevada para 1,6%. O setor de serviços também deve registrar um avanço, passando de 1,9% para 2,1%, enquanto a agropecuária viu sua expectativa mudar de 0% para 1,1%.
Mário Sérgio Telles, diretor de Economia da CNI, explica que essa revisão nas projeções se baseia em três fatores principais: “Primeiro, o desempenho superior ao esperado da indústria extrativa nos primeiros meses deste ano, impulsionado pela produção de petróleo e minério de ferro. Em segundo lugar, a constante reavaliação das previsões para a safra que inicialmente indicavam uma queda; e por último, um melhor desempenho no setor de serviços”.
A previsão também leva em conta os resultados positivos observados no primeiro trimestre. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) revelou um crescimento econômico de 0,6% em fevereiro (acima da expectativa inicial de 0,47%), resultando no maior nível histórico desse índice. O trimestre também foi marcado por recordes nas exportações de petróleo, notadamente para a China.
Setores
Conforme indicado pela CNI, o setor extrativo será o principal motor do crescimento industrial neste ano. Essa situação é similar à observada em 2025, uma vez que esse setor é menos afetado pelas taxas de juros e se beneficia do aumento dos preços do petróleo. A entidade prevê um crescimento significativo de 7,8% nessa área, em contraste com a previsão anterior de apenas 1,1%.
<pPor outro lado, a indústria de transformação teve sua estimativa reduzida de 0,5% para 0,3%, devido precisamente aos mesmos fatores que favorecem o segmento extrativista e ao aumento dos custos com mão de obra.
No setor de serviços, a melhoria é atribuída ao “crescimento dos rendimentos dos trabalhadores, ao aumento dos gastos públicos e à elevação da renda disponível gerada pela isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil”, conforme analisa a CNI. Em relação à agropecuária, a confiança está fundamentada nas projeções mais otimistas para as safras e no bom desempenho da pecuária.

