O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (6) indica que o mercado financeiro ajustou a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve como balizador da inflação no Brasil. A nova previsão das instituições financeiras, coletadas pelo Banco Central (BC), aponta uma inflação de 4,36%, um leve aumento em relação aos 4,31% estimados na semana anterior. Esse ajuste já considera a pressão exercida sobre os preços dos combustíveis devido ao conflito no Oriente Médio, que impacta os custos de frete e, consequentemente, afeta diversos produtos.
Essa é a quarta semana consecutiva em que a expectativa para o IPCA é elevada. Há quatro semanas, a taxa estava em 3,91%. Apesar da alta nas previsões, os índices continuam dentro do limite estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que fixa uma meta inflacionária de 3%, com uma margem de tolerância que pode chegar até 4,5%.
A recente elevação nos números reflete a inflação real medida pelo IBGE, que registrou um aumento de 0,7% em fevereiro, impulsionado principalmente pelos setores de transporte e educação. Entretanto, ao considerar os últimos doze meses, o IPCA apresentou uma queda para 3,81%, comparado a uma taxa anterior de 4,44%.
No tocante às previsões para anos futuros, o Boletim Focus trouxe leves ajustes: a expectativa para 2027 subiu de 3,84% para 3,85%, enquanto para 2028 passou de 3,57% para 3,60%. Para o ano de 2029, as previsões permaneceram estáveis em 3,50%.
Taxa de juros
Quanto à taxa de juros, as expectativas apresentadas pelo BC não mudaram. Atualmente fixada em 14,75% ao ano, a previsão é que a Selic termine o ano em torno de 12,5% ao ano.
No início de março deste ano, as projeções apontavam uma Selic em 12,13% ao ano. Contudo, os desdobramentos do conflito internacional e um corte modesto nas taxas (de apenas 0,25 ponto percentual pelo Copom) inverteram essa trajetória otimista.
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A expectativa para a Selic em 2027 se mantém inalterada há 60 semanas em 10,5% ao ano. Para o ano seguinte (2028), permanece estabilizada há onze semanas em 10% ao ano e para 2029 estima-se uma taxa de juros de 9,75% ao ano.
PIB e câmbio
No que tange ao Produto Interno Bruto (PIB), que costuma ser um indicador propenso a erros por parte dos economistas envolvidos nas previsões, não houve alteração em relação à semana anterior:
- 2026: 1,85%;
- 2027: 1,8%;
- 2028 e 2029: ambos com expectativa de crescimento de 2%.
<pPara o ano de 2025, o PIB oficial do Brasil foi registrado em 2,3%, mesmo com os efeitos persistentes das altas taxas de juros que chegaram a atingir os 15% ao ano durante todo o segundo semestre.
A projeção para o câmbio também se manteve estável: espera-se que a cotação do dólar fique em R$ 5,40 neste ano; R$ 5,45 para o ano de 2027; e R$ 5,50 tanto para os anos de 2028 quanto para 2029.

