O presidente Lula expressou severas críticas a um leilão que resultou no aumento do preço do gás de cozinha. Segundo ele, essa iniciativa foi realizada em desacordo com as diretrizes do governo e da Petrobras, e deve ser cancelada. Contudo, para que isso aconteça, a estatal precisará explorar opções legais para formalizar o distrato. Até o momento, a empresa não se manifestou sobre o assunto.
A manifestação de Lula ocorreu primeiramente em uma entrevista concedida à TV Record Bahia, onde ele comentou sobre o aumento dos preços do gás liquefeito de petróleo (GLP) nas distribuidoras, que ultrapassaram em até 100% a tabela de referência da estatal.
“Esse leilão foi uma verdadeira cretinice, uma bandidagem”, afirmou Lula à emissora. “As pessoas estavam cientes das instruções do governo e da Petrobras de não elevar o preço do GLP. No entanto, realizaram um leilão que contrariava a vontade da direção da Petrobras”, completou.
“Estamos determinados a revisar e anular esse leilão, pois não permitiremos que os mais pobres arcam com os custos dessa guerra”, declarou.
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A sua declaração também reflete as repercussões da guerra entre Estados Unidos e Israel no Oriente Médio, que afetam diretamente os preços dos combustíveis.
Diante da manutenção dos preços pelo Petrobras desde julho de 2024 para o gás produzido internamente, a estratégia de leilões com ágio (um valor extra adicionado ao preço base) é utilizada para ajustar os valores da parcela importada do gás com base nos preços internacionais.
O que causou desconforto ao presidente foi precisamente o timing do leilão, que ocorreu em um cenário de pressão sobre os preços dos combustíveis, além do aumento significativo causado pelo ágio nesse leilão específico ao custo do GLP.
Uma investigação revelou que o leilão em questão comercializou 11% do consumo de GLP previsto para abril. Os ágios iniciais estavam em torno de 30%, mas chegaram a impressionantes 117%, encarecendo consideravelmente o produto.
A situação provocou a indignação do presidente, especialmente porque um dos seus principais programas é o Gás do Povo, voltado para fornecer gás de cozinha às famílias em situação de vulnerabilidade.
“Quando a Petrobras vende um botijão por R$ 37, ele não pode custar R$ 160 na casa das pessoas. Alguém está se aproveitando”, criticou.
Após a entrevista, Lula voltou ao tema durante um evento sobre mobilidade urbana na capital baiana. Ele reiterou: “Ontem foi realizado um leilão contra a vontade do governo e da presidenta da Petrobras. Um diretor decidiu conduzir esse leilão e aumentou o ágio em 100%, elevando assim o preço do gás. Não permitiremos que esse aumento chegue até vocês, pois essa é nossa responsabilidade”, disse ele, responsabilizando um diretor da estatal pela situação.
Recompra de refinaria
Lula também mencionou à Record Bahia as ações tomadas pelo governo para reduzir os preços do diesel, como a isenção de impostos e os esforços para estabelecer um modelo de subvenção com a concordância quase total dos estados visando reduzir o custo do combustível.
Nesse contexto, ele destacou que o governo teria maior capacidade de controlar os preços dos combustíveis se a BR Distribuidora não tivesse sido privatizada durante a gestão Jair Bolsonaro. Segundo Lula, somente em 2029 será possível recomprar a empresa pelo Estado.
No entanto, já estão sendo estudadas alternativas para recuperar a Refinaria de Mataripe, localizada em São Francisco do Conde na Bahia, que foi vendida em 2021 também durante o governo Bolsonaro. A intenção é reativar essa refinaria para criar um estoque regulador capaz de equilibrar os preços no país frente aos choques internacionais.
“Não é justo o que fizeram; atualmente, a refinaria produz menos da metade daquilo que deveria. Precisamos dela operando em plena capacidade porque produzimos 70% do nosso óleo diesel e dependemos 30% desse insumo importado. Este último sempre chega com base no preço internacional e somos forçados a reajustar”, explicou.

