Na próxima sexta-feira (22), em Havana, uma significativa manifestação será realizada na Tribuna Anti-imperialista José Martí, organizada por militantes, estudantes e diversas associações sociais cubanas. O evento visa apoiar Raúl Castro e protestar contra as recentes ações do governo dos Estados Unidos, que, sob a administração de Donald Trump, fez acusações contra o líder revolucionário cubano.
A convocação para o ato partiu da União de Jovens Comunistas de Cuba e da Federação Estudantil Universitária, além de outras organizações populares e movimentos juvenis presentes na ilha.
Este evento acontece em um contexto de crescente tensão entre Washington e Havana e coincide com as festividades que celebram os 95 anos de Raúl Castro.
Os organizadores da manifestação pretendem repudiar “o ato infame e desprezível do Departamento de Justiça dos Estados Unidos” e reafirmar a solidariedade popular com a Revolução Cubana.
No comunicado divulgado, é afirmado que “nenhuma ameaça, bloqueio, cerco energético ou acusações infundadas poderão abalar a determinação de um povo inteiro em defesa da sua Revolução”.
As acusações feitas pelos Estados Unidos relembram um incidente ocorrido em 1996 envolvendo aeronaves da organização anticastrista Hermanos al Rescate, baseada em Miami.
Cuba sustenta que essas incursões violaram repetidamente seu espaço aéreo e que a resposta militar foi uma ação legítima em defesa da soberania nacional.
O presidente Miguel Díaz-Canel comentou que as alegações “apenas revelam a arrogância e o desespero” do imperialismo norte-americano frente à “firmeza inabalável da Revolução Cubana e à unidade moral de sua liderança”.
Por sua vez, o chanceler Bruno Rodríguez Parrilla descreveu o processo como uma “farsa” destinada a distorcer a realidade cubana, reiterando que Cuba não renunciará ao seu “legítimo direito à defesa”.
Havana também acusa Washington de utilizar politicamente esta situação como justificativa para endurecer o bloqueio econômico e intensificar as ameaças contra a ilha.
O governo cubano informou que entre 1994 e 1996 foram emitidas diversas advertências formais aos Estados Unidos sobre as violações do espaço aéreo por aeronaves associadas à Hermanos al Rescate, sem qualquer resposta efetiva das autoridades norte-americanas.
A mobilização desta sexta-feira ocorre ainda em meio ao aumento da presença militar dos Estados Unidos na região do Caribe, com o envio do porta-aviões USS Nimitz para a área, gerando preocupações em Havana sobre possíveis ações coordenadas envolvendo pressão econômica, ofensivas judiciais e demonstrações militares contra Cuba.

