Nesta quarta-feira (20), os Estados Unidos enviaram o porta-aviões USS Nimitz e seu grupo de ataque ao Mar do Caribe, em resposta a um aumento das ameaças direcionadas a Cuba.
A movimentação das forças armadas aconteceu no mesmo dia em que o Departamento de Justiça do governo de Donald Trump anunciou formalmente acusações criminais contra Raúl Castro, ex-presidente e figura proeminente da revolução cubana.
O Comando Sul das Forças Armadas dos EUA, que supervisiona as operações militares na América Latina e no Caribe, foi responsável pelo anúncio da movimentação militar.
“Bem-vindos ao Caribe, Grupo de Ataque do Porta-Aviões Nimitz!”, foi a mensagem postada pelo Southcom em suas redes sociais.
Este grupo inclui o porta-aviões USS Nimitz, o Carrier Air Wing 17, um destróier chamado USS Gridley e o navio de abastecimento USNS Patuxent. O Comando Sul descreveu essa frota como “a epítome da prontidão e presença, com alcance e letalidade incomparáveis, além de uma vantagem estratégica”.
A chegada dessa força naval ao Caribe intensificou a preocupação em Havana, onde já havia denúncias sobre uma suposta tentativa dos EUA de criar um contexto político e jurídico que justificasse novas agressões à ilha.
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel declarou nesta semana que Cuba tem “o direito absoluto e legítimo” de se proteger contra qualquer ataque militar, alertando que uma agressão resultaria em “um banho de sangue com consequências incalculáveis”.
O governo cubano vê a combinação de pressão militar, acusações judiciais e um endurecimento do bloqueio econômico como parte de uma ofensiva coordenada dos Estados Unidos contra a ilha.
Essa escalada também acontece após declarações recentes feitas por Donald Trump sobre Cuba. O presidente americano disse que os EUA estão “libertando Cuba” e comentou que não pode prever “o que acontecerá depois” em relação à ilha.
Além disso, ele rotulou Cuba como um “Estado pária” e afirmou que Washington irá expulsar “as forças da ilegalidade, do crime e da invasão estrangeira” da região.
Porta-aviões nuclear lidera operação militar no Caribe
O USS Nimitz é considerado um dos principais símbolos do poderio militar estadunidense. Comissionado em 1975, esse porta-aviões nuclear possui aproximadamente 333 metros de comprimento e é capaz de transportar entre 60 a 90 aeronaves, incluindo caças, helicópteros e aviões de apoio militar.
A embarcação navega acompanhada pelo destróier USS Gridley e pelo navio de abastecimento USNS Patuxent, formando um grupo capaz de realizar operações aéreas, marítimas e bloqueios.
Segundo informações do Comando Sul, essa movimentação faz parte da operação Southern Seas 2026, destinada a aumentar a presença militar dos EUA na América Latina e no Caribe.
O Nimitz participou de diversas operações militares significativas nas últimas décadas, incluindo ações no Golfo Pérsico, Afeganistão, Iraque e Oriente Médio. O próprio Comando Sul declarou que o porta-aviões “demonstrou sua capacidade bélica ao redor do mundo”, garantindo estabilidade e defendendo a democracia desde o Estreito de Taiwan até o Golfo Arábico.
Antes de se dirigir ao Caribe, essa frota realizou exercícios conjuntos com a Marinha brasileira na costa do Rio de Janeiro. Essa sequência de atividades militares — passando do Atlântico Sul para a região caribenha durante uma crise com Havana — aumentou os receios sobre uma possível escalada no conflito.
Acusações contra Raúl Castro aumentam temor de intervenção
A chegada do USS Nimitz ao Caribe coincide com a formalização das acusações criminais contra Raúl Castro por eventos ocorridos em 1996. Naquele ano, aeronaves da organização anticastrista Hermanos al Rescate foram abatidas após repetidas incursões no espaço aéreo cubano.
O governo cubano condenou essas acusações como uma tentativa de criminalizar sua soberania e criar justificativas políticas para aumentar as pressões contra Havana.
Carlos Fernández de Cossío, vice-chanceler cubano, classificou as acusações como um “ato canalha”, afirmando que essa movimentação faz parte da “escalada agressiva” dos EUA contra Cuba.
A preocupação com possíveis intervenções ganhou força após precedentes na Venezuela. Antes da captura do presidente Nicolás Maduro em janeiro deste ano, Washington havia iniciado processos criminais contra ele também.
Cuba e seus aliados veem esse padrão — acusações judiciais seguidas por pressão econômica e demonstração militar — como um sinal preocupante para toda a região.
A ofensiva acontece ainda em meio à grave crise econômica pela qual Cuba está passando, agravada pelo endurecimento do bloqueio econômico imposto pelos EUA e pelo embargo energético. Washington tem ameaçado países e empresas que fornecem combustível à ilha, causando apagões frequentes e desabastecimento generalizado.
Dentro dos próprios Estados Unidos, essa escalada encontra resistência. Membros do Partido Democrata estão propondo leis para impedir o uso das Forças Armadas contra Cuba sem autorização prévia do Congresso. O senador Adam Schiff ressaltou que Trump não possui autoridade legal para invadir ou atacar outra nação soberana sem aprovação parlamentar ou uma ameaça iminente comprovada.

