Após uma semana de intensa pressão, Ed Sheeran alterou sua postura em relação à guerra em Gaza, especialmente após a saída do rapper Macklemore de sua turnê nos Estados Unidos. Durante uma apresentação na Filadélfia, no último sábado (19), o cantor britânico declarou que “o que está ocorrendo em Gaza é desastroso, inaceitável e desproporcional”.
Sheeran também se manifestou contra a “injustiça sistêmica” na Cisjordânia e expressou sua profunda consternação diante do elevado número de civis e crianças que perderam a vida. Além disso, fez questão de condenar os ataques perpetrados pelo Hamas em Israel, que ocorreram no dia 7 de outubro de 2023, chamando-os de “horríveis”.
A crise e a saída de Macklemore
Esse posicionamento surge em meio a uma crise que abalou os alicerces da turnê. Macklemore utilizava seus shows para apoiar a causa palestina e criticar as ações israelenses em Gaza. Sua postura política levou à sua exclusão da programação do evento.
No Instagram, o ator Javier Bardem lançou um apelo para um boicote contra Ed Sheeran devido à decisão de afastar Macklemore. Fãs também demonstraram seu descontentamento nas redes sociais, particularmente no X.
Sheeran esclareceu que a decisão foi tomada pelo promotor da turnê e pelos donos dos locais onde os shows seriam realizados, que pressionaram pela saída do rapper. Ele mencionou ter tentado encontrar uma solução, mas não teve voz ativa na questão. Vale ressaltar que o lobby pró-Israel possui grande influência na indústria do entretenimento nos Estados Unidos.
A situação gerou mais desistências: Finneas, Lukas Graham, Aaron Rowe e até membros da banda de apoio de Sheeran abandonaram a turnê em apoio a Macklemore.
A mudança de discurso sob pressão
A série de boicotes e desistências colocou Ed Sheeran no centro das discussões sobre liberdade de expressão e o papel dos artistas durante conflitos bélicos. Antes desse episódio, ele havia afirmado que seus fãs não esperavam um “fórum político” durante suas apresentações.
<pEntretanto, durante o show na Filadélfia, reconheceu que sua perspectiva havia mudado e afirmou que estava disposto a quebrar seu silêncio. Reconheceu erros cometidos ao longo da controvérsia e criticou a influência exercida pelos proprietários dos locais sobre o que os artistas podem expressar ou apresentar.
Dessa forma, a mudança em seu discurso ocorre depois que a exclusão de Macklemore provocou reações dentro da própria turnê. O cantor agora combina sua defesa pela liberdade artística com uma manifestação mais clara sobre a crise humanitária em Gaza.
Referência à Gaza e Cisjordânia
Quando mencionou Gaza, Ed Sheeran foi além de simples declarações humanitárias. Ele descreveu a situação como “injustificável e desproporcional”, ampliando suas críticas para incluir a “injustiça sistêmica” na Cisjordânia.
Ao mesmo tempo, tentou manter uma mensagem de unidade durante seus shows, enfatizando que pessoas com diferentes visões políticas podem coexistir pacificamente e ressaltando que sua música busca promover “amor, esperança e união”.
Essa declaração representa uma mudança significativa na postura pública do cantor ao longo da crise. Após inicialmente defender uma separação entre música e política, Sheeran passou a reconhecer que as circunstâncias em Gaza demandavam um posicionamento público — um movimento desencadeado pela saída de Macklemore e outros artistas da turnê.

