Com a aproximação das eleições presidenciais marcadas para outubro, o panorama político do Brasil passa por mudanças significativas nas intenções de voto e na avaliação do governo federal. Um recente levantamento da Genial/Quaest, divulgado nesta quarta-feira (13), revela que a aprovação da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou de 43% para 46%, apresentando uma elevação de três pontos percentuais em comparação ao mês anterior. Simultaneamente, a desaprovação caiu de 52% para 49%, resultando em uma redução substancial do saldo negativo de avaliação, que passou de nove pontos em abril para três pontos em maio.
Esse movimento positivo é principalmente impulsionado pela mudança nas opiniões do eleitorado independente, que não possui uma identificação partidária forte. Dentro desse grupo, o saldo negativo da avaliação do governo diminuiu de 16 pontos para cinco pontos. A estabilidade dos índices entre eleitores que se declaram petistas ou bolsonaristas sugere que o aumento na aprovação não é fruto apenas da mobilização da base aliada, mas também de uma reconquista junto aos eleitores centristas. Outras análises demográficas mostram melhorias para o governo, especialmente entre aqueles com renda entre dois e cinco salários mínimos e entre os eleitores na faixa etária de 35 a 59 anos, onde a diferença entre aprovação e desaprovação diminuiu dez pontos em um mês.
Cenário eleitoral e polarização
O aprofundamento da pesquisa por segmentos indica a manutenção de bastiões tradicionais e variações geográficas relevantes. No aspecto religioso, Lula ampliou sua vantagem entre católicos, alcançando 51%, enquanto Flávio Bolsonaro firmou sua liderança entre evangélicos com 61%. Regionalmente, o atual presidente detém uma expressiva vantagem no Nordeste com 61% das intenções de voto e observou crescimento no Sudeste e Sul, onde o candidato do PL passou por uma leve queda, mas ainda lidera com 44% e 49%, respectivamente. Na região Centro-Oeste e Norte, a oposição permanece à frente com 50%. Na modalidade espontânea – quando os nomes dos candidatos não são apresentados – Lula soma 22%, enquanto Flávio tem 14% e Jair Bolsonaro conta com apenas 5%, além de uma taxa significativa de indecisos que chega a 57% do eleitorado.
A pesquisa demonstra uma solidificação da polarização entre as candidaturas do PT e do PL, que juntas representam 72% das intenções de voto no primeiro turno. No cenário estimulado, Lula aparece com 39%, marcando um acréscimo de dois pontos em relação ao levantamento anterior. O senador Flávio Bolsonaro (PL) cresceu um ponto percentual, totalizando agora 33%. Distantes dos líderes estão Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), ambos com apenas 4%. O pré-candidato Renan Santos (Missão) registra 2%, enquanto Augusto Cury, Cabo Daciolo e Samara Martins têm cada um 1%. Os votos brancos, nulos e indecisos somam cerca de 10%.
A mudança mais significativa acontece nas simulações para o segundo turno. Pela primeira vez nos últimos meses, Lula reassumiu a liderança numérica contra Flávio Bolsonaro, obtendo 42% contra os 41% do deputado. Embora o cenário técnico ainda indique um empate dentro da margem de erro, essa nova informação interrompe uma sequência de crescimento do bolsonarismo que liderava com 42% contra 40% em abril. Ao ser comparado com outros nomes da direita e centro-direita, a vantagem do atual presidente se torna mais ampla: ele aparece com 44% contra 37% no caso de Zema; contra Caiado é 44% a 35%; e contra Renan Santos é uma diferença maior: 45% a 28%.
Influências externas e o impacto da Operação Master
A análise dos dados revela fatores conjunturais que podem ter influenciado a mudança na percepção dos eleitores. A coleta foi realizada entre os dias 8 e 11 de maio, logo após os desdobramentos da Operação Compliance Zero da Polícia Federal ocorrida no dia anterior (7). As investigações sobre supostos repasses mensais por um banco privado a figuras políticas ligadas ao clã Bolsonaro afetaram consideravelmente a narrativa oposicionista. Para cerca de 46% dos entrevistados, os recentes escândalos causam um desgaste generalizado na classe política; no entanto, as informações indicam que esse episódio limitou o impulso crescente da “nova direita” que o PL pretendia consolidar.
Paralelamente, o Palácio do Planalto implementou diversas agendas voltadas para questões econômicas e sociais que tiveram repercussões positivas. Entre as iniciativas destacadas – ainda não capturadas nesta rodada de pesquisa – está o lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado na terça-feira (12), além da isenção do imposto sobre importações para compras internacionais até o valor de cinquenta dólares. A expansão do programa voltado à renegociação de dívidas utilizando o FGTS também obteve aprovação popular expressiva: cerca de 50%. No âmbito internacional, o encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos foi considerado vantajoso para o Brasil por aproximadamente 60% dos entrevistados, ajudando assim a fortalecer a imagem presidencial.
Tendências rumo às eleições de outubro
A cinco meses das eleições, os dados fornecidos pela pesquisa Quaest indicam uma reversão na trajetória decrescente da popularidade governamental que teve início no final do ano passado. Os números reforçam que mesmo com divisões profundas no eleitorado, a disputa será decidida pelo eleitorado centrista que atualmente parece estar retornando à esfera governista.
É importante ressaltar que os dados consolidados referentes ao segundo turno mostram que se as eleições fossem realizadas neste momento, Lula seria reeleito para um novo mandato. A pesquisa foi realizada através de entrevistas presenciais com um total de duas mil quatro pessoas e possui uma margem de erro estimada em dois pontos percentuais para mais ou menos, apresentando um índice de confiança equivalente a 95%.

