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Nação colombiana sob pressão de países árabes após reconhecimento do Golã por Israel

Recife CotidianoRecife Cotidianoagosto 13, 2026 44 Minutes read0

A recente decisão do governo de Abelardo de la Espriella, que reconheceu a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã, gerou uma crise nas relações diplomáticas entre a Colômbia e várias nações árabes.

Essa ação provocou uma forte reação da Liga Árabe, composta por 22 países do Oriente Médio e norte da África. A organização declarou que o reconhecimento colombiano “não possui validade jurídica” e não altera a condição das Colinas de Golã como território sírio sob ocupação. Países como Egito, Arábia Saudita e Síria também se manifestaram contra essa decisão adotada por De la Espriella.

A Liga Árabe abrange nações como Argélia, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Comores, Djibuti, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iémen, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Marrocos, Mauritânia, Omã, Palestina, Somália, Sudão, Síria e Tunísia.

As Colinas de Golã são um território sírio ocupado militarmente por Israel desde 1967. A anexação realizada por Tel Aviv em 1981 não é reconhecida pela comunidade internacional e foi considerada “nula e sem efeito” pela Resolução 497 do Conselho de Segurança da ONU.

Antes da decisão da Colômbia, apenas os Estados Unidos haviam quebrado esse consenso internacional ao reconhecer a soberania israelense sobre o Golã durante o primeiro mandato de Donald Trump em 2019.

Nabil Fahmy, secretário-geral da Liga Árabe, enfatizou que o reconhecimento feito pela Colômbia “não tem efeito jurídico” e reiterou que a soberania síria sobre o território permanece inalterada. Ele afirmou: “As Colinas de Golã continuarão sendo consideradas território sírio ocupado conforme as normas do direito internacional e as resoluções internacionais”.

Fahmy também solicitou que Bogotá revertesse sua posição e corrigisse essa declaração. O ministério das Relações Exteriores do Egito classificou o reconhecimento como contrário ao direito internacional e às decisões das Nações Unidas. Por sua vez, a chancelaria saudita destacou que tal medida representa uma “flagrante violação” das resoluções internacionais e indicou que ações desse tipo não favorecem a paz na região.

A Síria também condenou a nova postura colombiana. O governo de Damasco reafirmou que as Colinas de Golã são “uma parte inseparável” do seu território nacional e anunciou que irá utilizar todos os recursos diplomáticos e legais disponíveis para defender sua soberania.

Alteração na política externa colombiana

De la Espriella anunciou essa mudança apenas três dias após assumir a presidência da Colômbia. Essa decisão representa uma ruptura significativa com a política externa estabelecida pelo governo anterior de Gustavo Petro e marca um rápido estreitamento das relações com os Estados Unidos e Israel.

A justificativa apresentada pela chancelaria colombiana para essa mudança foi que o controle israelense sobre as Colinas de Golã é necessário devido à “persistente instabilidade regional no Oriente Médio”. O comunicado ainda afirmava que manter o território sob domínio israelense é um “fator crucial” para a segurança nacional de Israel.

Este argumento ecoa as justificativas históricas utilizadas por Tel Aviv para sustentar sua ocupação do planalto golanês apesar das múltiplas resoluções internacionais que reconhecem esse território como parte da Síria.

Israel tomou controle das Colinas de Golã durante a Guerra dos Seis Dias em 1967. Em 1981, o país promulgou uma lei que estendeu suas legislações ao território, consumando assim uma anexação unilateral não reconhecida pelo Conselho de Segurança da ONU.

A ocupação se intensificou novamente após a queda do governo de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, quando tropas israelenses passaram a controlar áreas adicionais na zona desmilitarizada estabelecida pelo acordo entre Israel e Síria em 1974.

Apoio israelense à decisão colombiana

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu expressou sua satisfação com essa decisão e agradeceu publicamente ao presidente colombiano. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ele declarou: “Hoje o povo israelense está unido à Colômbia porque nosso amigo presidente reconheceu nossa soberania nos Altos do Golã”.

O chanceler israelense Gideon Sa’ar também celebrou essa nova posição colombiana durante sua visita ao país antes da posse presidencial. Ele afirmou que essa atitude demonstra o “compromisso com Israel e com sua segurança” por parte do novo presidente colombiano.

Sa’ar havia se encontrado com De la Espriella um dia antes da posse presidencial. A colaboração entre os dois governos inclui planos para cooperação nas esferas militar, de segurança e inteligência além do restabelecimento total das relações diplomáticas rompidas por Petro em 2024 devido à ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

Além disso, De la Espriella anunciou planos para transferir a Embaixada colombiana de Tel Aviv para Jerusalém — outra demanda histórica contestada internacionalmente pelo governo israelense. O novo governo também planeja retomar as exportações colombianas de carvão para Israel e retirar seu apoio às iniciativas internacionais críticas a Israel relacionadas ao conflito em Gaza.

Dessa forma, a nova orientação política coloca a Colômbia entre os países latino-americanos mais alinhados atualmente com Tel Aviv e Washington enquanto desfaz rapidamente parte significativa da estratégia externa desenvolvida durante o governo Petro em relação à Palestina e ao Oriente Médio.

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Abelardo de la EspriellaColinas de GolãcolombiaInternacionalIsraelLiga ÁrabeOcupação israelenseoriente médioSíria

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