O Departamento de Estado dos Estados Unidos fez uma exibição clara de desrespeito por nações soberanas da América Latina ao divulgar, nesta terça-feira (11), um vídeo publicitário que revive a polêmica Doutrina Monroe, reafirmando a dominação americana sobre a região.
Com mais de cinco minutos de duração e narrado pelo embaixador dos EUA no Panamá, Kevin Marino Cabrera, o conteúdo do governo norte-americano chega a afirmar que a supremacia dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental nunca será contestada novamente.
A peça formaliza a face mais agressiva da chamada Doutrina Monroe, atualizando a abordagem imperialista adotada durante a administração de Donald Trump.
Publicada abertamente nas redes sociais oficiais da diplomacia americana, essa provocação revela o desprezo da Casa Branca pela autodeterminação dos povos. Ao destacar a operação de captura de Nicolás Maduro, realizada em janeiro de 2026, como uma mensagem clara para os governos da região, Washington busca impor seu domínio geopolítico através da intimidação.
O recado é claro e inaceitável: a soberania das nações latino-americanas estaria sujeita aos interesses do império. A narrativa apresentada pelos EUA distorce grotescamente a história ao glorificar dois séculos de agressões e intervenções excessivas.
No vídeo, são exaltados eventos como a ocupação de Cuba e Porto Rico em 1898, o infame Corolário Roosevelt, a imposição do Canal do Panamá e as intervenções da Guerra Fria, culminando na ofensiva criminosa de Ronald Reagan contra a Revolução Sandinista. O material esconde cinicamente os inúmeros derramamentos de sangue resultantes dessas ingerências, ignorando o apoio direto dos EUA a golpes de Estado e ditaduras militares que assolaram a América Latina durante todo o século 20.
Partidos de esquerda, acadêmicos e analistas têm se manifestado contra essa grave ameaça institucional. A peça reduz a autonomia dos países vizinhos a uma condição precária.
Veículos de comunicação em todo o continente também criticaram essa tentativa grotesca de rebaixar as repúblicas sul-americanas à condição de protetorado hemisférico.
A ação comunicacional de Washington não é casual. O vídeo foi divulgado logo após o pedido da China para participar das consultas abertas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as tarifas arbitrárias impostas pela Casa Branca.
A escalada desse conflito revela retaliações contra o Brasil, incluindo revogações de vistos para autoridades diplomáticas brasileiras e ameaças à interferência no processo eleitoral. Além disso, há tentativas hostis para articular uma coalizão militar chamada Escudo das Américas.
A Estratégia Nacional de Segurança sob Trump reafirma sua intenção de sabotar qualquer projeto voltado à integração autônoma ou à multipolaridade no continente. Não é coincidência que isso receba apoio do clã Bolsonaro, que troca a soberania brasileira por poder político em detrimento das eleições.
Diante dessa ofensiva explícita do Departamento de Estado, defender a independência nacional e promover a unidade entre os países latino-americanos tornou-se uma prioridade urgente contra as aspirações imperialistas.
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